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18/09/2026

Quem recebe misericórdia, aprende a oferecer misericórdia

 

As leituras de hoje - 17/09 -  nos mostram como Deus é misericordioso. Na primeira leitura, vemos essa misericórdia na vida de São Paulo. No Evangelho, vemos a mesma misericórdia na vida de uma mulher pecadora.

Dois pontos para nossa reflexão hoje: 

Primeiro, a graça de Deus é maior que o nosso passado. Na primeira leitura (Rm 3,21-30), São Paulo fala com sinceridade sobre sua própria história. Ele diz que é “o menor dos apóstolos” e que nem merece ser chamado apóstolo, porque havia perseguido a Igreja. Paulo não esconde seu passado, mas também não fica preso a ele.

Por isso, ele pode dizer “Pela graça de Deus, sou o que sou.” Aquele que antes perseguia os cristãos tornou-se um dos maiores anunciadores de Cristo. Deus não mudou o que Paulo havia feito, mas mudou o que Paulo ainda podia se tornar. A graça deu uma nova direção à sua vida.

Certa vez, fiquei com vontade de comer o joelho de porco que meu pai costumava preparar para nós quando eu era criança. Então tentei fazer na nossa comunidade. Quando provei, infelizmente, ficou não só muito salgado, mas também muito apimentado. Achei que tinha estragado tudo. Mas nossa cozinheira me disse “Ainda dá para salvar, padre.” Ela lavou a carne com água e cozinhou de novo. Aquilo que eu achava que estava perdido ainda podia ser recuperado.

Às vezes, olhamos para nossa vida da mesma maneira. Cometemos erros e começamos a pensar que estragamos tudo. Mas Deus não olha para nós assim. A graça não finge que o passado nunca aconteceu. Ela nos mostra que o passado não precisa decidir o nosso futuro. Aquilo que pensamos estar perdido ainda pode ganhar uma nova vida nas mãos de Deus.

Segundo, quem recebe misericórdia aprende a oferecer misericórdia. No Evangelho - Lc 11,47-54 - , uma mulher pecadora se aproxima de Jesus. Ela lava os pés dele com suas lágrimas, enxuga-os com seus cabelos e os unge com perfume.

Lembro-me de um amigo que, quando vai comprar legumes ou frutas na feira, examina tudo com muito cuidado. Vira de um lado para o outro, olha cada detalhe e, quando encontra um pequeno defeito, já deixa de lado. Às vezes penso que, se Deus fizesse compras como meu amigo, nenhum de nós iria para o carrinho. Todos temos defeitos, fraquezas e marcas do passado. Mas Deus não olha apenas para aquilo que está errado em nós. Ele olha para a pessoa por inteiro.

É isso que vemos no Evangelho. Simão olha para aquela mulher e vê apenas o seu passado. Jesus não nega o que ela viveu, mas também não a reduz ao seu passado. Ele vê seu arrependimento, seu amor e aquilo que a graça está realizando em sua vida.

E às vezes queremos misericórdia quando o erro é nosso, mas queremos justiça quando o erro é do outro. Quando nós erramos, queremos compreensão. Quando os outros erram, podemos julgar rapidamente. Jesus nos ensina outro caminho. Quem recebe misericórdia deve aprender também a oferecer misericórdia.

Peçamos ao Senhor a graça de confiar nosso passado à sua misericórdia e de olhar para os outros como Ele olha para nós. Amém.

Homilia do Pe. Reymel, ssp – 17/09/2026

21/04/2025

Gestos que caracterizaram o Papa Francisco





Em seu pontificado, o Papa Francisco realizou gestos que traduzem e reforçam suas mensagens para a Igreja e a humanidade inteira. Não só com palavras e documentos, ele apontou para uma Igreja em saída, misericordiosa, que cuida da criação, vive o amor na família e promove a fraternidade humana.

Relembre alguns dos inúmeros gestos que marcaram o pontificado do Papa Francisco e ficaram registrados nas memórias, corações e na história da Igreja.


O Papa que pede orações ao povo de Deus

Logo após ser apresentado ao mundo, na sacada central da Basílica São Pedro, o Papa Francisco surpreendeu os milhares de fiéis que lotavam a praça ao saudá-los com um simples “Boa noite” e, em seguida, inclinar-se pedindo orações por sua missão à frente da Igreja Católica.

Vatican news

O Papa que chora com os migrantes

Em 8 de julho de 2013, Francisco fez a primeira viagem de seu pontificado: à ilha de Lampedusa, no extremo sul da Itália. No local, o pontífice quis manifestar sua proximidade aos migrantes que tinham conseguido atravessar o Mediterrâneo e chorar por aqueles que morreram na travessia. O gesto deu início às diversas iniciativas em vista de acolher, proteger, promover e integrar os migrantes.

O Papa junto do povo

Em julho de 2013, o Papa Francisco fez sua primeira viagem apostólica, durante a Jornada Mundial da Juventude, no Brasil. Na ocasião, vários momentos marcaram a memória daquele primeiro contato do pontífice em outro país junto com o povo de Deus. Um exemplo foi o abraço no menino Nathan de Brito, à época com 9 anos, que conseguiu furar o bloqueio e partilhar com o Papa seu desejo de ser padre.


O Papa que visita as periferias de Roma

Em várias ocasiões durante seu pontificado, o Papa Francisco saiu do Vaticano para fazer visitas surpresas na periferia de Roma. Famílias, instituições que atuam com jovens ou com pessoas que enfrentam problemas mentais foram visitadas pelo pontífice e receberam palavras de apoio e incentivo. Essa presença também ocorreu nas paróquias da periferia da diocese de Roma, escolhidas por Francisco para encontros com o clero.


O Papa que aponta para a globalização da esperança

No dia 28 de outubro de 2014, o Papa reuniu-se com os movimentos populares, que realizavam, em Roma, o seu primeiro encontro mundial. Em audiência, proferiu um discurso que poderia ser definido como “programático”, indicando os três Ts (terra, teto e trabalho) ponto fulcral da ação destes grupos que atuam em nome da dignidade humana, da justiça social, do desenvolvimento dos mais pobres e dos descartados. O pontífice voltou a encontrar os movimentos em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia (2015), e dirigiu-se a eles nos encontros seguintes.

Na Bolívia, Francisco afirmou: “a globalização da esperança, que nasce dos povos e cresce entre os pobres, deve substituir esta globalização da exclusão e da indiferença”.


O Papa que mostra o rosto misericordioso de Deus

Em 2015, Francisco convocou o Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Misericordie Vultus foi o título da Bula de Proclamação. O Ano Santo foi oportunidade para contemplar o mistério da misericórdia, “fonte de alegria, serenidade e paz”. Para essa ocasião, Francisco marcou o início adiantado do ano jubilar na África. A primeira Porta Santa foi aberta em Bangui, na República Centro-Africana, uma terra marcada pela guerra e sofrimentos.


O Papa que lamenta a crueldade

Assim como seus predecessores, João Paulo II e Bento XVI, o Papa Francisco visitou os campos de concentração de Auschwitz e Birkenau, onde milhares de judeus foram feitos prisioneiros e mortos pelo regime nazista. Naquela ocasião, em julho de 2016, marcada pelo silêncio e oração, Francisco escreveu no Livro da Memória do Museu de Auschwitz: “Senhor, tem piedade do teu povo! Senhor, perdão por tanta crueldade!”.

Em várias oportunidades, o Papa falou que a humanidade não deve repetir o extermínio ocorrido na Polônia.


O Papa que sente o sofrimento dos Povos da Amazônia

“Provavelmente, nunca os povos originários amazônicos estiveram tão ameaçados nos seus territórios como estão agora”. Essa frase do Papa manifestava sua preocupação com a vida dos povos indígenas, durante o encontro que reuniu mais de 3 mil pessoas em Puerto Maldonado, no Peru, em 18 de janeiro de 2018.



O encontro foi marcado por testemunhos e um longo discurso do Pontífice, em que o Papa manifestou a sua preocupação pela ameaça que os povos e o território da Amazônia estão sofrendo. O evento foi marcante no processo de realização do Sínodo para a Amazônia, ocorrido no ano seguinte, culminando com a exortação apostólica Querida Amazônia.


O Papa que celebra o Matrimônio

Mesmo que o Sacramento do Matrimônio seja celebrado pelos nubentes, o Papa Francisco demonstrou celebrar, no sentido exaltar e valorizar, a união de amor entre o homem e a mulher. Em algumas oportunidades, ele fez questão de assistir noivos na união diante de Deus, como em 2018, quando presidiu a missa no casamento de uma jovem brasileira com um ex-guarda-suíço.

Também demonstra essa valorização a convocação de duas assembleias sinodais sobre a família, a exortação apostólica sobre o amor na família e o ano “Família Amoris Laetitia”, cinco anos depois da publicação do documento pós-sinodal.


O Papa que beija os pés em nome da paz

Em gesto sem precedentes no Vaticano, o Papa Francisco ajoelhou-se e beijou os pés de líderes do Sudão do Sul que viviam em guerra pelo controle do país. No dia 11 de abril de 2019, ao concluir um retiro espiritual para a paz com autoridades civis e eclesiásticas do país, o pontífice apelou que eles não voltassem a travar uma guerra civil pelo poder.

“A vocês três que assinaram o Acordo de Paz, peço-lhes, como irmão, que permaneçam na paz. Peco-lhes com o coração. Vamos seguir em frente. Haverá muitos problemas, mas não tenham medo, vão em frente, resolvam os problemas. Vocês iniciaram um processo: que termine bem. Haverá lutas entre vocês dois, sim. Que elas ocorram dentro do escritório; diante do povo, as mãos unidas. Assim, de simples cidadãos, vocês se tornarão Pais da Nação. Permitam-me pedir isso com o coração, com os meus sentimentos mais profundos”, disse o Papa.

O Papa que aposta na fraternidade humana

Em 2019, o Papa assinou com o grande imã de Al-Azhar, Ahmed Al-Tayeb, líder muçulmano, uma declaração conjunta de boas e leais vontades, capaz de convidar todas as pessoas, que trazem no coração a fé em Deus e a fé na fraternidade humana, a “unir-se e trabalhar em conjunto, de modo que tal documento se torne para as novas gerações um guia rumo à cultura do respeito mútuo, na compreensão da grande graça divina que torna irmãos todos os seres humanos”. A declaração é considera precursora da encíclica Fratelli Tutti.

O Papa que recorda que estamos no mesmo barco

Numa Praça de São Pedro vazia e debaixo de chuva, o Papa atravessava rumo à porta da basílica. Uma das imagens mais emblemáticas de seu pontificado, num momento desafiador e de sofrimento para a humanidade inteira. Eram os primeiros meses da pandemia de Covid-19 e Francisco promovia um “momento extraordinário de oração” com a bênção Urbi et Orbi (Para a cidade e o mundo).

“O Senhor desperta, para acordar e reanimar a nossa fé pascal. Temos uma âncora: na sua cruz, fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor. No meio deste isolamento que nos faz padecer a limitação de afetos e encontros e experimentar a falta de tantas coisas, ouçamos mais uma vez o anúncio que nos salva: Ele ressuscitou e vive ao nosso lado. Da sua cruz, o Senhor desafia-nos a encontrar a vida que nos espera, a olhar para aqueles que nos reclamam, a reforçar, reconhecer e incentivar a graça que mora em nós. Não apaguemos a mecha que ainda fumega (cf. Is 42, 3), que nunca adoece, e deixemos que reacenda a esperança”.


O Papa que busca a paz

A palavra pontífice já traz consigo a referência de construir pontes. E assim Francisco quis fazer diante dos inúmeros conflitos que ocorrem no mundo todo, que marcam como que “uma guerra mundial em pedaços”. Ucrânia, Palestina, Israel, Líbano, Mianmar, Sudão e Kivu do Norte foram frequentemente lembrados nas orações do Angelus, junto com um clamor pela paz.

Essa preocupação do Papa se traduziu nas ligações diárias à paróquia Sagrada Família, em Gaza, onde dezenas de pessoas conseguiram abrigo para se protegerem dos ataques de Israel. Mesmo depois do cessar fogo e da sua internação, o Papa continuou com as ligações.


O Papa que ensina a partir de sua debilidade

Francisco não deixou de levar mensagens importantes mesmo com sua fragilidade durante o longo período de internação e após a alta do hospital. Quando possível, ele continuava a ligar para a paróquia em Gaza. Depois de retornar para a Casa Santa Marta, sua primeira aparição pública foi no Jubileu dos Enfermos e do Mundo da Saúde. Francisco quis estar próximo e se fazer com um daqueles peregrinos.

Em outras aparições, o Papa dedicou suas orações diante dos túmulos do Apóstolo Pedro e São Pio X, e do monumento dedicado a Bento XVI, na Basílica de São Pedro. No dia 16 de abril, teve um encontro com a diretoria e funcionários do Policlínico Gemelli, onde esteve internado por 38 dias. O Pontífice agradeceu a atenção e a assistência recebidas e garantiu suas orações e, em seguida, sua saudação a cada um dos presentes. Na última quinta-feira, Francisco quis manter a tradição de visitar uma prisão por ocasião do lava-pés. Assim, ele esteve na prisão Regina Coeli, em Roma.

“Todos os anos, gosto de repetir o que Jesus fez na Quinta-feira Santa, o lava-pés, na prisão”. E acrescentou: “Este ano não posso fazê-lo, mas posso e quero estar perto de vocês. Rezo por vocês e por suas famílias”, disse o Papa.


Fonte: CNBB


30/03/2016

5 0 º Dia Mundial das Comunicações Sociais

Solenidade da Ascensão - 8 de maio de 2016
Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo»

Queridos irmãos e irmãs!
O Ano Santo da Misericórdia convida-nos a refletir sobre a relação entre a comunicação e a misericórdia. Com efeito a Igreja unida a Cristo, encarnação viva de Deus Misericordioso, é chamada a viver a misericórdia como traço característico de todo o seu ser e agir. Aquilo que dizemos e o modo como o dizemos, cada palavra e cada gesto deveria poder expressar a compaixão, a ternura e o perdão de Deus para todos. O amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se, não se isolando. E, se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pela caridade, pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de Deus.
Como filhos de Deus, somos chamados a comunicar com todos, sem exclusão. Particularmente próprio da linguagem e das ações da Igreja é transmitir misericórdia, para tocar o coração das pessoas e sustentá-las no caminho rumo à plenitude daquela vida que Jesus Cristo, enviado pelo Pai, veio trazer a todos. Trata-se de acolher em nós mesmos e irradiar ao nosso redor o calor materno da Igreja, para que Jesus seja conhecido e amado; aquele calor que dá substância às palavras da fé e acende, na pregação e no testemunho, a «centelha» que os vivifica.
A comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a sociedade. Como é bom ver pessoas esforçando-se por escolher cuidadosamente palavras e gestos para superar as incompreensões, curar a memória ferida e construir paz e harmonia. 
As palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, os povos. E isto acontece tanto no ambiente físico como no digital. 
Assim, palavras e ações hão de ser tais que nos ajudem a sair dos círculos viciosos de condenações e vinganças que mantêm prisioneiros os indivíduos e as nações, expressando-se através de mensagens de ódio. Ao contrário, a palavra do cristão visa fazer crescer a comunhão  e, mesmo quando deve com firmeza condenar o mal, procura não romper jamais o relacionamento e a comunicação.
Por isso, queria convidar todas as pessoas de boa vontade a redescobrirem o poder que a misericórdia tem de curar as relações dilaceradas e restaurar a paz e a harmonia entre as famílias e nas comunidades. Todos nós sabemos como velhas feridas e prolongados ressentimentos podem aprisionar as pessoas, impedindo-as de comunicar e reconciliar-se. E isto aplica-se também às relações entre os povos. Em todos estes casos, a misericórdia é capaz de implementar um novo modo de falar e dialogar, como se exprimiu muito eloquentemente Shakespeare: «A misericórdia não é uma obrigação. Desce do céu como o refrigério da chuva sobre a terra. É uma dupla bênção: abençoa quem a dá e quem a recebe» (O mercador de Veneza, Acto IV, Cena I).
 É desejável que também a linguagem da política e da diplomacia se deixe inspirar pela misericórdia, que nunca dá nada por perdido. Faço apelo sobretudo àqueles que têm responsabilidades institucionais, políticas e de formação da opinião pública, para que estejam sempre vigilantes sobre o modo como se exprimem a respeito de quem pensa ou age de forma diferente e ainda de quem possa ter errado. É fácil ceder à tentação de explorar tais situações e, assim, alimentar as chamas da desconfiança, do medo, do ódio. Pelo contrário, é preciso coragem para orientar as pessoas em direção a processos de reconciliação, mas é precisamente tal audácia positiva e criativa que oferece verdadeiras soluções para conflitos antigos e a oportunidade de realizar uma paz duradoura. «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. (…) Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 7.9).
Como gostaria que o nosso modo de comunicar e também o nosso serviço de pastores na Igreja nunca expressassem o orgulho soberbo do triunfo sobre um inimigo, nem humilhassem aqueles que a mentalidade do mundo considera perdedores e descartáveis! A misericórdia pode ajudar a mitigar as adversidades da vida e dar calor a quantos têm conhecido apenas a frieza do julgamento. Seja o estilo da nossa comunicação capaz de superar a lógica que separa nitidamente os pecadores dos justos. Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. –, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas. 
É nosso dever admoestar quem erra, denunciando a maldade e a injustiça de certos comportamentos, a fim de libertar as vítimas e levantar quem caiu. 
O Evangelho de João lembra-nos que «a verdade [nos] tornará livres» (Jo 8, 32). Em última análise, esta verdade é o próprio Cristo, cuja misericórdia repassada de mansidão constitui a medida do nosso modo de anunciar a verdade e condenar a injustiça. É nosso dever principal afirmar a verdade com amor (cf. Ef 4, 15). Só palavras pronunciadas com amor e acompanhadas por mansidão e misericórdia tocam os nossos corações de pecadores. 
Palavras e gestos duros ou moralistas correm o risco de alienar ainda mais aqueles que queríamos levar à conversão e à liberdade, reforçando o seu sentido de negação e defesa.
Alguns pensam que uma visão da sociedade enraizada na misericórdia seja injustificadamente idealista ou excessivamente indulgente. 
Mas tentemos voltar com o pensamento às nossas primeiras experiências de relação no seio da família. Os pais amavam-nos e apreciavam-nos mais pelo que somos do que pelas nossas capacidades e os nossos sucessos. Naturalmente os pais querem o melhor para os seus filhos, mas o seu amor nunca esteve condicionado à obtenção dos objetivos. A casa paterna é o lugar onde sempre és bem-vindo (cf. Lc 15, 11-32). Gostaria de encorajar a todos a pensar a sociedade humana não como um espaço onde estranhos competem e procuram prevalecer, mas antes como uma casa ou uma família onde a porta está sempre aberta e se procura aceitar uns aos outros.
Para isso é fundamental escutar. Comunicar significa partilhar, e a partilha exige a escuta, o acolhimento. Escutar é muito mais do que ouvir. Ouvir diz respeito ao âmbito da informação; escutar, ao invés, refere-se ao âmbito da comunicação e requer a proximidade. A escuta permite-nos assumir a atitude justa, saindo da tranquila condição de espectadores, usuários, consumidores. 
Escutar nunca é fácil. Às vezes é mais cômodo fingir-se de surdo. Escutar significa prestar atenção, ter desejo de compreender, dar valor, respeitar, guardar a palavra alheia. 
Na escuta, consuma-se uma espécie de martírio, um sacrifício de nós mesmos em que se renova o gesto sacro realizado por Moisés diante da sarça-ardente: descalçar as sandálias na «terra santa» do encontro com o outro que me fala (cf. Ex 3, 5). Saber escutar é uma graça imensa, é um dom que é preciso implorar e depois exercitar-se a praticá-lo.
Também e-mails, sms, redes sociais, chat podem ser formas de comunicação plenamente humanas. 
Não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor. 
As redes sociais são capazes de favorecer as relações e promover o bem da sociedade, mas podem também levar a uma maior polarização e divisão entre as pessoas e os grupos. 
O ambiente digital é uma praça, um lugar de encontro, onde é possível acariciar ou ferir, realizar uma discussão proveitosa ou um linchamento moral. Rezo para que o Ano Jubilar, vivido na misericórdia, «nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação» (Misericordiae Vultus, 23).
Em rede, também se constrói uma verdadeira cidadania. O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade pelo outro, que não vemos mas é real, tem a sua dignidade que deve ser respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade sadia e aberta à partilha.
A comunicação, os seus lugares e os seus instrumentos permitiram um alargamento de horizontes para muitas pessoas. Isto é um dom de Deus, e também uma grande responsabilidade. Gosto de definir este poder da comunicação como «proximidade». O encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa. Num mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade.

Vaticano, 24 de Janeiro de 2016.
Papa Francisco





MInistério da Visitação - Ir. Patricia Silva

MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV PARA O 100º DIA MUNDIAL DAS MISSÕES (18 de outubro)

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