Ali realizou um encontro inter-religioso, no dia 28 de setembro.
No encontro "nas raízes da Europa pela paz e unidade", o Papa Leão XIV pediu "coragem nas negociações", pediu "esforços criativos para promover a paz mundial" e não apenas para "conter a hemorragia da guerra".
O Papa manifestou "um profundo desejo de paz".
final, os responsáveis das diferentes confissões religiosas em França assinaram o ‘Apelo de Metz’ que afirma: “Nenhuma paz duradoura se constrói sem o outro, nem contra o outro”.
“Opomo-nos muito particularmente ao veneno do totalitarismo do qual esta terra da Lorena tanto padeceu”, advertem os líderes cristãos, judeus e muçulmanos no documento conjunto, evocando as experiências da II Guerra Mundial.
A declaração inter-religiosa foi proclamada no Centro de Congressos Robert Schuman, reunindo figuras como o presidente da Federação Protestante de França, Christian Krieger, o grão-rabino Haïm Korsia, o reitor da Grande Mesquita de Paris, Chems-Eddine Hafiz e Anthony Boussemart, da União Budista.
Os signatários rejeitam a resignação perante os “poderes opressivos ou corruptos” e assumem que as diferentes fés detêm uma “responsabilidade particular na edificação e manutenção da paz no mundo”.
“O nome de Deus, tal como nenhuma verdade religiosa ou tradição espiritual, pode jamais ser invocado para justificar a violência e o ódio”, sublinha o manifesto, assinado pelo cardeal Jean-Marc Aveline, presidente da Conferência Episcopal Francesa em nome da Igreja Católica.
O texto manifesta “indignação” perante o recrudescimento de atos criminosos contra pessoas e locais de culto em solo francês, condenando “todas as formas de discriminação e todos os discursos de ódio”.
A declaração adverte que a pacificação “não se reduz à ausência de guerra” e exige a presença estrutural de justiça, de respeito pela dignidade humana e de solidariedade efetiva entre as gerações.
“Constatamos com gravidade que as nossas próprias sociedades não são poupadas a fraturas, discriminações e lógicas de rejeição que fragilizam a coesão entre as pessoas e os povos”, indicam os signatários.
Os líderes religiosos exigem a recusa das lógicas “de vingança, de rejeição e de humilhação” ligadas às feridas da História, apelando ao desenvolvimento de uma verdadeira “cultura de acolhimento e de fraternidade”.
O manifesto culminou na adoção de três compromissos práticos perante o Papa: prosseguir um diálogo assíduo e exigente, formar as jovens gerações no conhecimento mútuo das várias tradições e atuar de forma unida perante a adversidade.
“Nenhuma paz duradoura se constrói sem o outro, nem contra o outro”, remata o apelo.
A declaração é uma iniciativa da Conferência de Responsáveis do Culto de França (CRCF), organismo criado em 2010 que reúne representantes, das Igrejas cristãs (católica, ortodoxa e protestante), do budismo, do islamismo e do judaísmo.
NA ÍNTEGRA, O DISCURSO DE LEÃO XIV
ENCONTRO INTER-RELIGIOSO
DISCURSO DO SANTO PADRE
Queridos irmãos e irmãs,
queridos amigos representantes das diferentes tradições religiosas,
É com profunda alegria, mas também com um vivo sentimento de responsabilidade espiritual, que me encontro hoje entre vós, em Metz, cidade de fronteiras e de passagens, no Centro de Congressos que tem o nome de Robert Schuman, um dos pais fundadores da União Europeia. Este homem de fé e convicções soube transformar as antigas linhas de divisão em pontes de esperança para toda a Europa, tornando-se um verdadeiro embaixador da unidade na diversidade. Seguindo o seu exemplo, a nossa responsabilidade comum de mulheres e homens religiosos é a de testemunhar que, para além das fronteiras, é sempre possível encontrar-nos, estabelecer amizades e construir a paz.
Dialogar não diminui a nossa identidade, mas expressa-a com simplicidade e verdade, abrindo-nos à diferença do outro. Como dizia o meu predecessor, o Papa Francisco: «O diálogo entre pessoas de diferentes religiões não se faz apenas por diplomacia, amabilidade ou tolerância. […] o objetivo do diálogo é estabelecer amizade, paz e harmonia» (Carta enc. Fratelli tutti, 271). Antes dele, o Papa João Paulo II considerava o diálogo como uma exigência intrínseca da própria natureza do homem (cf. Mensagem para o XXXIV Dia Mundial da Paz, 10, 1 de janeiro de 2001). O diálogo é, segundo Paul Ricœur, o caminho através do qual reconhecemos a alteridade como uma promessa e não como uma ameaça; situa-se no extremo oposto da agressividade e da violência e constitui uma arte do encontro.
Com efeito, invocar o nome de Deus para legitimar a violência ou a opressão configura uma profanação desse nome. Nada do que desfigura a dignidade humana pode reivindicar uma autêntica inspiração divina. O discurso religioso deve exortar constantemente ao desarmamento dos corações e das palavras. Isto implica a responsabilidade direta de cada um de nós, enquanto guardiães das nossas respectivas tradições.
Por outro lado, se a fecundidade das tradições religiosas se manifesta, acima de tudo, no seu serviço à paz e à fraternidade, ela expressa-se igualmente na sua capacidade de proteger, acompanhar e servir a vida. A grandeza de uma civilização não se mede pelos seus sucessos materiais, mas pela forma como acolhe, protege e eleva a pessoa humana. As religiões são guardiãs da vida; elas afirmam o seu valor sagrado. A sua fecundidade é demonstrada pela presença amorosa junto das pessoas mais frágeis e vulneráveis. Servir a vida é rodeá-la de cuidados, presença e ternura, sobretudo nas provações, até ao fim. Nós, que estamos abertos à transcendência, temos como missão oferecer pontos de referência sólidos, em particular aos jovens, para construir uma comunhão que respeite e valorize a dignidade de toda a pessoa humana.
Queridos amigos, «a Igreja considera todos os que procuram sinceramente a verdade, a bondade e a beleza como companheiros de caminho» (Carta enc. Magnifica Humanitas, 23). Agradeço mais uma vez a vossa proximidade e presença. Que a bondade infinita de Deus e a sua sabedoria nos acompanhem e ensinem a viver cada vez mais como seus filhos e como irmãos e irmãs entre nós. E que assim possamos ser, onde quer que vivamos, artesãos de paz e testemunhas de uma esperança que não cessa de crescer no nosso mundo.
Deus vos abençoe!
FONTE: vaticannews
