As leituras de hoje - 17/09 - nos mostram como Deus é
misericordioso. Na primeira leitura, vemos essa misericórdia
na vida de São Paulo. No Evangelho, vemos a mesma misericórdia na vida de uma
mulher pecadora.
Dois pontos para nossa reflexão hoje:
Primeiro, a graça de Deus é maior que o nosso passado. Na primeira leitura (Rm 3,21-30), São Paulo fala com sinceridade sobre sua própria história. Ele diz que é “o menor dos apóstolos” e que nem merece ser chamado apóstolo, porque havia perseguido a Igreja. Paulo não esconde seu passado, mas também não fica preso a ele.
Por isso, ele pode dizer “Pela graça de Deus, sou o que sou.”
Aquele que antes perseguia os cristãos tornou-se um dos maiores anunciadores de
Cristo. Deus não mudou o que Paulo havia feito, mas mudou o
que Paulo ainda podia se tornar. A graça deu uma nova direção à sua vida.
Certa vez, fiquei com vontade de comer o
joelho de porco que meu pai costumava preparar para nós quando eu era criança.
Então tentei fazer na nossa comunidade. Quando provei, infelizmente,
ficou não só muito salgado, mas também muito apimentado. Achei
que tinha estragado tudo. Mas nossa cozinheira me disse “Ainda dá para salvar, padre.”
Ela lavou a carne com água e cozinhou de novo. Aquilo que eu
achava que estava perdido ainda podia ser recuperado.
Às vezes, olhamos para nossa vida da
mesma maneira. Cometemos erros e começamos a pensar que estragamos tudo. Mas
Deus não olha para nós assim. A graça não finge que o passado nunca aconteceu. Ela nos mostra que o passado não precisa decidir o nosso futuro. Aquilo
que pensamos estar perdido ainda pode ganhar uma nova vida nas mãos de Deus.
Segundo, quem recebe misericórdia aprende a oferecer misericórdia. No Evangelho - Lc 11,47-54 - , uma mulher pecadora se aproxima de Jesus. Ela lava os pés dele com suas lágrimas, enxuga-os com seus cabelos e os unge com perfume.
Lembro-me de um amigo que, quando vai
comprar legumes ou frutas na feira, examina tudo com muito cuidado. Vira de um
lado para o outro, olha cada detalhe e, quando encontra um pequeno defeito, já
deixa de lado. Às vezes penso que, se Deus fizesse compras
como meu amigo, nenhum de nós iria para o carrinho. Todos temos defeitos, fraquezas e
marcas do passado. Mas Deus não olha apenas para aquilo que está errado em nós.
Ele olha para a pessoa por inteiro.
É isso que vemos no Evangelho. Simão
olha para aquela mulher e vê apenas o seu passado. Jesus não nega o que ela
viveu, mas também não a reduz ao seu passado. Ele vê seu
arrependimento, seu amor e aquilo que a graça está realizando em sua vida.
E às vezes queremos misericórdia quando
o erro é nosso, mas queremos justiça quando o erro é do outro. Quando nós
erramos, queremos compreensão. Quando os outros erram, podemos julgar
rapidamente. Jesus nos ensina outro caminho. Quem recebe
misericórdia deve aprender também a oferecer misericórdia.
Peçamos ao Senhor a graça de confiar nosso passado à sua misericórdia e de olhar para os outros como Ele olha para nós. Amém.
Homilia
do Pe. Reymel, ssp – 17/09/2026
