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05/11/2026

X Dia Mundial dos Pobres - 15 de novembro 2026

 

                        vatican media

 

 Os pobres dos nossos dias são os esquecidos e os marginalizados: privados de uma palavra e de um rosto, e não só do pão

Mensagem do Papa Leão XIV

para o X Dia Mundial dos Pobres

33º Domingo do Tempo Comum, 15 de novembro de 2026

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O Senhor é o refúgio do pobre (cf. Sl 14, 6)

1. O Senhor é o refúgio do pobre (cf. Sl 14, 6). As palavras do salmista sugerem o caminho a que somos chamados a percorrer na perspectiva do X Dia Mundial dos Pobres. Mais uma vez, é necessário recorrer à Palavra de Deus para compreender a importância que os pobres têm na vida da Igreja. A expressão do Salmo torna-se critério de avaliação para avaliar a existência cristã, pois revela o rosto de Deus e reconhece a pobreza humana. Realmente, num momento histórico dramático como foi a destruição do templo de Jerusalém, o povo sentiu-se privado da presença de Deus e experimentou uma miséria material e moral sem precedentes.

De geração em geração, esta Palavra revela-se em toda a sua atualidade. Desde o início, ela mostra a contradição na qual ainda hoje se cai frequentemente. Com efeito, a primeira constatação é esta: «O insensato diz em seu coração: “Não há Deus!”. Corruptas e abomináveis são as suas ações; não há quem faça o bem» (Sl 14, 1). Ela põe em evidência o contraste entre os que se comportam com sabedoria e os que, pelo contrário, levam a vida como se não houvesse nada acima deles. Nota-se, infelizmente, como também nos nossos dias é difundida uma injustiça social que brota duma corrupção arrogante, tão deplorável quanto discriminatória. A perda do sentido de transcendência na vida quotidiana já não é tanto uma negação teórica da existência de Deus; antes, manifesta-se em não considerar a sua bondade e misericórdia na construção da justiça pessoal e social.

Os primeiros a sofrer as consequências são os pobres, cujo número, não por acaso, está aumentando em muitas sociedades. A ausência de Deus faz com que as pessoas já não se coloquem umas ao lado das outras, num clima de respeito mútuo, mas sim umas acima das outras, num clima de domínio e opressão. Assim, é exibida uma lógica mundana de abuso de poder e descarte, que marginaliza e humilha. Nesta condição encontram-se não só pessoas individualmente, mas populações inteiras. As palavras do Salmo ressoam ainda cheias de verdade: «Devoram o meu povo, como se devorassem pão» (Sl 14, 4).

2. O clamor dos pobres por justiça é hoje abafado por múltiplas técnicas, cada vez mais dissimuladas, a ponto de silenciar todos os seus esforços para fazer ouvir as suas reivindicações. O ambiente digital radicaliza o preconceito contra eles e aumenta a cortina de indiferença que envolve as suas causas. Ao pobre não resta senão clamar por Deus (cf. Sl 34,7) e fazer chegar até Ele o seu lamento, com a certeza de ser ouvido, porque Deus é fiel e rico em misericórdia. Os oprimidos, humilhados e indefesos crescem também hoje na certeza de que devem entregar-se a Deus, cheios de confiança e expectativa. Nesta entrega total, renasce o sentido da própria dignidade, reconhecem-se irmãs e irmãos com quem organizar os próprios sonhos, a esperança torna-se silenciosamente realidade. Refugiar-se em Deus equivale a encontrar a proteção verdadeira e segura, aquela que os poderosos não podem garantir e preferem negar.

O pobre, porém, sabe reconhecer melhor do que os outros o essencial, porque vive do essencial. Semelhante a Cristo mais do que qualquer outro, reconhece Deus como seu refúgio, mesmo quando as circunstâncias parecem contradizê-lo, e está cheio de esperança na justiça divina, que não tardará a manifestar-se. Na noite do abandono e da solidão, o pobre «habita sob a proteção do Altíssimo» (cf. Sl 91, 1). Todos os que estão aflitos, os que sofrem injustiça e são ofendidos, os que estão no sofrimento e na dor, os que estão sozinhos e sem sentido para a vida podem encontrar consolo e nova motivação junto do Senhor.

3. Ser refúgio não é apenas uma promessa, mas torna-se realidade na pessoa de Jesus Cristo. Deus vem habitar entre nós com a encarnação do Filho, que torna concreto e visível o refúgio esperado. Jesus Cristo é verdadeiramente o refúgio de Deus para os pobres. Pela sua obediência ao Pai, Ele desce até ao ponto mais baixo, onde se encontram os últimos. Ele vai ao encontro de todos e oferece, a cada um, um refúgio seguro: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos darei descanso» (Mt 11, 28). Em Jesus, Deus não só protege, mas partilha a pobreza humana até à cruz.

Os pobres dos nossos dias são os esquecidos e os marginalizados: privados de uma palavra e de um rosto, e não só do pão. Que eles possam encontrar o Filho de Deus, que se faz próximo de todos sem deixar ninguém de lado. Que o encontrem, antes de mais, naqueles que se dizem cristãos. Na Igreja, seu Corpo, é Jesus quem oferece pão e amizade; traz luz e um horizonte de esperança; pronuncia o nome de cada um e devolve a todos a dignidade. Jesus de Nazaré é o dom de Deus aos pobres. Nele, todas as promessas tornam-se realidade. Para todos aqueles que carecem de casa, trabalho, instrução, alimento e saúde, abre-se um novo caminho: a partilha como expressão do Reino de Deus (cf. Mt 5, 3). À obsessão daqueles que acumulam riquezas apenas para si opõe-se a obstinação de Deus que, no testemunho de pessoas de carne e osso, abre o coração e acolhe no seu amor.

4. Em Cristo, portanto, também nós somos chamados a tornarmo-nos pobres e a sermos refúgio para os pobres. A comunidade cristã não pode permanecer insensível perante tantos que hoje se encontram à porta e permanecem invisíveis para aqueles que estão fechados entre as suas próprias paredes. A Igreja, pela sua própria natureza, é chamada a ser pobre e refúgio para os pobres. Não esqueçamos o comentário de Santo Agostinho à parábola do homem rico e do pobre Lázaro: «Calou o nome do rico e disse o nome do pobre. O nome do rico andava de boca em boca, mas Deus calou-o; o nome do pobre passava em silêncio, mas Deus nos revelou. […] Tu, que escolherias? Ser pobre como Lázaro ou ser rico como o outro? Não te deixes enganar! Escuta qual foi o fim e repara na má escolha» (Sermo 33A, 4

Como recordei na Exortação Apostólica Dilexi te, «Deus mostra predileção pelos pobres: a eles primeiramente se dirige a palavra de esperança e libertação do Senhor e por isso ninguém, apesar da condição de pobreza ou fraqueza, deve sentir-se abandonado. E a Igreja, se deseja ser de Cristo, deve ser Igreja das Bem-aventuranças, Igreja que dá vez aos pequeninos e caminha pobre com os pobres, lugar onde os pobres têm um espaço privilegiado» (n.º 21).

Surgem inevitavelmente algumas perguntas que, neste X Dia Mundial dos Pobres, precisamos urgentemente de fazer ressoar na nossa mente e no nosso coração. Somos sinal de um Deus que é refúgio para os pobres? Temos consciência da nossa pobreza e a preferimos à riqueza injusta? Chegamos onde se encontram os pobres, experimentando a sua marginalidade? Ouvimos os seus pensamentos e partilhamos as suas expectativas? Pronunciamos os seus nomes com ternura divina? A nossa caridade reaviva e sustenta neles o desejo de justiça e redenção? Estas e muitas outras questões obrigam-nos a um sério exame de consciência, para verificar o quanto ainda somos chamados a ser em favor dos pobres e da sua libertação. Então veremos que os pobres se tornam, eles próprios, refúgio para os outros. A experiência da pobreza faz-nos particularmente sensíveis a uma solidariedade renovada perante os desafios.

O amor de Cristo torna-nos, na verdade, participantes da vida de amor de Deus. Neste sentido, os cristãos são chamados não só a procurar refúgio em Deus, mas também a tornar-se, em Deus, um refúgio para os outros, sem «fazer distinção entre quem assiste e quem é assistido, entre quem parece dar e quem parece receber, entre quem aparece pobre e quem sente que oferece tempo, competências, ajuda. Somos a Igreja do Senhor, uma Igreja de pobres, todos preciosos, todos sujeitos, cada um portador de uma Palavra singular de Deus. Cada um é um dom para os outros» (Homilia, 17 de agosto de 2025).
5. O oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis convida-nos a recordar como, ao chegar a Roma em peregrinação ao túmulo do apóstolo Pedro, ele se compadeceu dos mendigos. Para compreender e experimentar o seu sofrimento, tirou as próprias vestes e trocou-as pelas roupas esfarrapadas de um deles, sentando-se a pedir esmola e passando o dia inteiro no meio dos pobres com alegria de espírito (cf. Fontes Franciscanas, 1405-1406). Queremos testemunhar que é possível, também hoje, experimentar a mesma alegria ao colocar-se no lugar dos pobres e ao ouvi-los, em vez de apenas falar sobre eles. Quem tem Deus como refúgio é livre para fazer escolhas proféticas, que testemunham como tudo pode ser repensado a partir de baixo, na humildade e na fraternidade que, por si sós, curam um mundo ferido pela prepotência.

Confio que este X Dia Mundial dos Pobres possa constituir uma etapa significativa na redescoberta do rosto de tantos irmãos e irmãs que procuram refúgio em Deus e desejam sentir-se em casa nas nossas comunidades. Mantenhamos viva a obediência à Palavra de Deus, que nos convida à conversão do coração. Possa a Virgem Maria, que na carne crucificada do Filho contemplou o amor de Deus que enche de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias (cf. Lc 1, 53), interceder por nós.

Vaticano, 13 de junho 2026, memória de Santo Antônio de Lisboa.

LEÃO PP. XIV

21/10/2026

Catequese do Papa Leão: Vida matrimonial na Gaudium et Spes

 

Papa saúda casal de noivos - Vatican media


Vida matrimonial e familiar foi tema da catequese do Papa

Leão XIV retomou nesta quarta-feira, 21,  a Audiência Geral, uma semana após a operação para a retirada de um tumor maligno no pulmão direito. O encontro semanal com os fiéis foi realizado na Praça São Pedro e o Papa manteve o giro de papamóvel entre os presentes. Depois, o Papa agradeceu pelas orações de todos. 

A reflexão foi sobre a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, falando do bem da pessoa e da sociedade, que está intimamente ligado à vida matrimonial e familiar. 

Este documento define o matrimônio como "íntima comunidade da vida e do amor conjugal", fundada na entrega recíproca dos esposos, na fidelidade e na união indissolúvel, fortalecida pela graça de Cristo. A Gaudium et spes reforça que o amor conjugal não se limita à atração erótica, mas envolve toda a vontade dos cônjuges, "reavivando os afetos da alma e expressando-se através de sentimentos e gestos de ternura", explicou o Pontífice.

Iguais em dignidade, este amor permeia toda a vida dos cônjuges, abrindo-os à fecundidade. Com efeito, os filhos são "o maior dom do matrimônio" e os pais têm a responsabilidade humana e cristã de os acolher, proteger e educar, segundo a lei de Deus. Os esposos tornam-se "cooperadores do amor de Deus criador ".

Por fim, o ensinamento da Gaudium et spes destaca a função social da família, definida como "uma escola de valorização humana" e "o fundamento da sociedade", exortando todos aqueles que têm responsabilidades sociais, especialmente nos âmbitos político e cultural, ao dever de "contribuir eficazmente para a promoção do matrimônio e da família".

Ler na integra a reportagem em VATICAN.NEWS.VA 


07/10/2026

MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV PARA O 100º DIA MUNDIAL DAS MISSÕES (18 de outubro)




Um em Cristo, unidos na missão


Queridos irmãos e irmãs!

Para o Dia Mundial das Missões de 2026, que marca o centenário desta celebração, instituída por Pio XI e tão estimada pela Igreja, escolhi o tema «Um em Cristo, unidos na missão». Após o Ano Jubilar, desejo exortar toda a Igreja a prosseguir o caminho missionário com alegria e zelo no Espírito Santo, o que requer corações unificados em Cristo, comunidades reconciliadas e, em todos, disponibilidade para colaborar com generosidade e confiança.

Refletindo sobre o nosso ser um em Cristo e unidos na missão, deixemo-nos guiar e inspirar pela graça divina, para «renovar em nós o fogo da vocação missionária» e avançar juntos no empenho pela evangelização, numa «nova era missionária» na história da Igreja (Homilia na Missa pelo Jubileu do Mundo Missionário e dos Migrantes, 5 de outubro de 2025).


1. Um em Cristo. Discípulos-missionários unidos n’Ele e com os irmãos e irmãs

No centro da missão está o mistério da união com Cristo. Antes da sua Paixão, Jesus orou ao Pai: «Para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em Nós» (Jo 17, 21). Nestas palavras, revela-se o desejo mais profundo do Senhor Jesus e, ao mesmo tempo, a identidade da Igreja, comunidade dos seus discípulos: ser uma comunhão que nasce da Trindade e que vive da e na Trindade, ao serviço da fraternidade entre todos os seres humanos e da harmonia com todas as criaturas.

Ser cristão não é, em primeiro lugar, um conjunto de práticas ou ideias: é uma vida em união com Cristo, na qual nos tornamos participantes da relação filial que Ele vive com o Pai no Espírito Santo. Significa permanecer em Cristo como os ramos na videira (cf. Jo 15, 4), imersos na vida trinitária. Desta união, brota a comunhão recíproca entre os crentes e nasce toda a fecundidade missionária. Sim, como ensinou São João Paulo II, a comunhão representa a fonte e, simultaneamente, o fruto da missão (cf. Exort. ap. Christifideles laici, 32).

Sendo assim, a primeira responsabilidade missionária da Igreja é renovar e manter viva a unidade espiritual e fraterna entre os seus membros. Em muitas situações, assistimos a conflitos, polarizações, incompreensões, desconfiança mútua. Quando, também nas nossas comunidades, isto acontece, o seu testemunho enfraquece. A missão evangelizadora, que Cristo confiou aos discípulos, requer primeiramente corações reconciliados e desejosos de comunhão. Nesta ótica, será importante intensificar o compromisso ecuménico com todas as Igrejas cristãs, aproveitando também as oportunidades suscitadas pela comum celebração do 1700.º aniversário do Concílio de Nicéia.

Por último, mas não menos importante, ser «um em Cristo» chama-nos a manter sempre o olhar voltado para o Senhor, para que Ele esteja verdadeiramente no centro da vida pessoal e comunitária, de cada palavra, ação, relação interpessoal, de modo a fazer-nos dizer com admiração: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20). Isto será possível na escuta constante da sua Palavra e na graça dos Sacramentos, para sermos pedras vivas da Igreja, chamada hoje a recolher as instâncias fundamentais do Concílio Vaticano II e do subsequente Magistério pontifício, em particular, do Papa Francisco. Realmente, como afirma São Paulo, «não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor» (2 Cor 4, 5). Reitero, portanto, as palavras de São Paulo VI: «Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 22). Tal processo de genuína evangelização começa a partir do coração de cada cristão para depois se expandir a toda a humanidade.

Por conseguinte, quanto mais estivermos unidos em Cristo, mais poderemos realizar juntos a missão que Ele nos confia.


2. Unidos na missão. Para que o mundo creia em Cristo Senhor

A unidade dos discípulos não é um fim em si mesma: ela está orientada para a missão. Jesus afirma-o com clareza: «para que assim […] o mundo creia que Tu me enviaste» (Jo 17, 21). É no testemunho de uma comunidade reconciliada, fraterna e solidária que o anúncio do Evangelho encontra toda a sua força comunicativa.

Nesta perspectiva, vale a pena recordar o lema do Beato Paulo Manna: «Toda a Igreja para o mundo inteiro», que expressa sinteticamente o ideal que animou a fundação, em 1916, da Pontifícia União Missionária. A ela, no seu 110.º aniversário, pelo empenho em animar e formar o espírito missionário de sacerdotes, pessoas consagradas e fiéis leigos, favorecendo a união de todas as forças evangelizadoras, vai o meu reconhecimento e a minha bênção. Com efeito, nenhum batizado é estranho ou indiferente à missão: todos, cada um segundo a sua vocação e condição de vida, participam na grande obra que Cristo confia à sua Igreja. Como o Papa Francisco recordou mais de uma vez, o anúncio do Evangelho é sempre uma ação conjunta, comunitária, sinodal.

Por isso, estar unidos na missão significa guardar e alimentar a espiritualidade de comunhão e colaboração missionária. Crescendo dia a dia nessa atitude, aprendemos com a graça divina a olhar cada vez mais para os nossos irmãos e irmãs com olhos de fé, a reconhecer com alegria o bem que o Espírito suscita em cada um, a acolher a diversidade como riqueza, a carregar os fardos uns dos outros e a buscar constantemente a unidade que vem do Alto. Pois temos juntos uma única missão que nos vem de «um só Senhor, uma só fé, um só baptismo; um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por todos e permanece em todos» (Ef 4, 5-6). Esta espiritualidade constitui a forma quotidiana do discipulado missionário. Ela ajuda-nos a recuperar uma visão universal da missão evangelizadora da Igreja, superando a fragmentação dos esforços e divisões de facções – “de Paulo”, “de Apolo” – entre os seguidores do único Senhor (cf. 1 Cor 1, 10-12).

Obviamente, a unidade missionária não deve ser entendida como uniformidade, mas como convergência dos diferentes carismas para o mesmo objetivo: tornar visível o amor de Cristo e convidar todos a um encontro com Ele. A evangelização realiza-se quando as comunidades locais colaboram entre si e quando as diferenças culturais, espirituais e litúrgicas se expressam plena e harmoniosamente na mesma fé. Encorajo, deste modo, as instituições e realidades eclesiais a fortalecer o sentido de comunhão missionária eclesial e a desenvolver com criatividade formas concretas de colaboração entre si para a missão e na missão.

A propósito, agradeço às Pontifícias Obras Missionárias pelo serviço à cooperação missionária, que experimentei com apreço já durante o meu ministério no Peru. Estas obras – Propagação da Fé, Infância Missionária, São Pedro Apóstolo e União Missionária – continuam a alimentar e a formar a consciência missionária dos fiéis, seja dos pequenos aos crescidos, e a promover uma rede de oração e caridade que une as comunidades de todo o mundo. É significativo que a fundadora da Obra para a Propagação da Fé, a Beata Pauline Marie Jaricot, tenha idealizado, há duzentos anos, o Rosário Vivo, que ainda hoje reúne à distância numerosos fiéis em grupos para rezar pelas necessidades espirituais e missionárias. É importante recordar que, precisamente a partir de uma proposta da Obra para a Propagação da Fé, Pio XI instituiu, em 1926, a celebração do Dia Mundial das Missões, cujas ofertas recolhidas anualmente são por ela distribuídas, em nome do Papa, para as várias necessidades da missão da Igreja. Desta forma, as quatro Obras, em conjunto e cada uma na sua especificidade, continuam a desempenhar um papel precioso para toda a Igreja. Elas são um sinal vivo da unidade e da comunhão missionária eclesial. Convido todos a colaborar com elas com espírito de gratidão.


3. Missão do amor. Anunciar, viver e partilhar o amor fiel de Deus

Se a unidade é a condição da missão, o amor é a sua essência. A Boa Nova que somos enviados a anunciar ao mundo não é um ideal abstrato: é o Evangelho do amor fiel de Deus, encarnado no rosto e na vida de Jesus Cristo.

A missão dos discípulos e de toda a Igreja é a continuação, no Espírito Santo, da missão de Cristo: uma missão que nasce do amor, que se vive no amor e que conduz ao amor. Tanto é verdade que o próprio Senhor, na sua grande oração ao Pai antes da Paixão, depois de invocar a unidade dos discípulos, conclui assim: «O amor que me tiveste esteja neles e Eu esteja neles também» (Jo 17, 26). Os Apóstolos, portanto, evangelizaram movidos pelo amor de Cristo e por Cristo (cf. 2 Cor 5, 14). Da mesma forma, ao longo dos séculos, numerosos cristãos, mártires, confessores, missionários, deram a vida para dar a conhecer este amor divino ao mundo. Assim, a missão evangelizadora da Igreja continua guiada pelo Espírito Santo, Espírito de amor, até ao fim dos tempos.

Por isso, desejo agradecer especialmente aos atuais missionários e missionárias ad gentes: pessoas que, como São Francisco Xavier, deixaram a sua terra, a sua família e as seguranças para anunciar o Evangelho, levando Cristo e o seu amor a lugares muitas vezes difíceis, pobres, marcados por conflitos ou culturalmente distantes. Apesar das adversidades e dos limites humanos, eles continuam a doar-se com alegria porque sabem que o próprio Cristo, com o seu Evangelho, é a maior riqueza a partilhar. Com a sua perseverança, mostram que o amor de Deus é mais forte do que qualquer barreira. O mundo ainda precisa destes corajosos testemunhos de Cristo, e também as comunidades eclesiais necessitam de novas vocações missionárias, que devemos sempre ter no coração e rezar continuamente por elas ao Pai. Que Ele nos conceda o dom de jovens e adultos dispostos a deixar tudo para seguir Cristo no caminho da evangelização até aos confins da terra!

Admirando os missionários e as missionárias, faço um apelo especial à Igreja: unirmo-nos todos a eles na missão evangelizadora através do testemunho da vida em Cristo, da oração e do contributo para as missões. Muitas vezes, bem o sabemos, «o Amor não é amado», como disse São Francisco de Assis, a quem olhamos de modo particular pelos oitocentos anos do seu trânsito para o Céu. Deixemo-nos contagiar pelo seu desejo de viver no amor do Senhor e de o transmitir ao próximo e ao distante, porque, como ele afirmava, «muito se deve amar o amor d’Aquele que muito nos amou» (São Boaventura de Bagnoregio, Legenda Maior, cap. IX, 1; Fontes franciscanas, 1161). Sentimo-nos também estimulados pelo zelo de Santa Teresinha do Menino Jesus, que se propôs continuar a sua missão mesmo depois da morte, declarando: «No Céu, desejarei a mesma coisa que na terra: amar Jesus e fazê-Lo amar» (Carta ao reverendo M. Bellière, 24 de fevereiro de 1897).

Animados por estes testemunhos, comprometamo-nos todos a contribuir, cada um segundo a própria vocação e dons recebidos, para a grande missão evangelizadora, que é sempre obra do amor. As vossas orações e o vosso apoio concreto, especialmente por ocasião do Dia Mundial das Missões, serão uma grande ajuda para levar o Evangelho do amor de Deus a todos, especialmente aos mais pobres e necessitados. Cada dom, mesmo o menor entre eles, torna-se um ato significativo de comunhão missionária. Por isso, renovo o meu sincero agradecimento «por tudo o que fareis para me ajudar a ajudar os missionários em todo o mundo» (Videomensagem para o Dia Mundial das Missões 2025). E para promover a comunhão espiritual, deixo-vos, com a minha bênção, esta simples oração:

Pai santo, concedei-nos ser um em Cristo, enraizados no seu amor que une e renova. Fazei que todos os membros da Igreja sejam unidos na missão, dóceis ao Espírito Santo, corajosos no testemunho do Evangelho, anunciando e encarnando todos os dias o vosso amor fiel por cada criatura.

Abençoai os missionários e as missionárias, sustentai-os no seu esforço, guardai-os na esperança!

Maria, Rainha das missões, acompanhai a nossa obra evangelizadora em todos os cantos da terra: tornai-vos instrumentos de paz e fazei que o mundo inteiro reconheça em Cristo a luz que salva. Amém.

Vaticano, no III domingo do Tempo Comum, Festa da Conversão de São Paulo Apóstolo, 25 de janeiro de 2026


LEÃO PP. XIV


01/10/2026

Mês Missionário 2026


 Dom Maurício da Silva Jardim

Presidente da Comissão para Ação Missionária

Centenário do Dia Mundial das Missões

O Dia Mundial das Missões foi instituído pelo Papa Pio XI em 1926, portanto, estamos celebrando o centenário da sua criação. No Brasil desde 1972, através da Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil (CNBB), foi assumida a Campanha Missionária durante o mês de outubro, cujo objetivo principal é conscientizar os fiéis sobre a importância da missão universal da Igreja em promover oração, ajuda material e envio de missionários e missionárias.

POM: Campanha Missionária

A Campanha Missionária é uma iniciativa promovida pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM) em comunhão com Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Conselho Missionário Nacional (COMINA), e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB). O objetivo da campanha é conscientizar os fiéis sobre a importância da missão universal da Igreja em promover oração, ajuda material e envio de missionários e missionárias.

O tema do Mês Missionário é: “Um em Cristo, unidos na missão” e o lema: “Para que todos sejam um” (Jo 17,21). Sobre esta temática o Papa Leão XIV nos presenteou com uma belíssima mensagem, convocando-nos a permanecer unidos a Cristo.

Mensagem para o Dia Mundial das Missões

Na Mensagem para o Dia Mundial das Missões, o Pontífice nos indica três elementos essenciais para a vivência da missionariedade: estar unidos em Cristo, viver unidos na missão e realizar a missão no amor. Toda a fecundidade da Igreja missionária fundamenta-se na união com Cristo. Só haverá frutos na comunidade eclesial se seus membros permanecerem unidos ao Senhor (cf. Jo 15,4-5).

Mais do que pensar o Mês Missionário como um período de atividades, somos chamados a ser cristãos que cultivam uma espiritualidade missionária de “estar na presença” de Jesus. É dessa união com Ele que brotarão as iniciativas missionárias necessárias para testemunhar a vida em Cristo e levar o seu amor até os confins da terra.

Missão: responsabilidade de todos batizados

O mês de outubro também nos recorda que a missão não é responsabilidade de alguns, mas de todos os batizados. O Papa Leão XIV nos motiva: “Nenhum batizado é estranho ou indiferente à missão: todos, cada um segundo a sua vocação e condição de vida, participam na grande obra que Cristo confia à sua Igreja”.

Dentro do mês de outubro, no penúltimo final de semana, nos dias 17 e 18, a Igreja promove a coleta missionária. Por meio dessa coleta, realizada em todas as comunidades, são ajudadas 1.118 dioceses presentes nos diversos continentes. Por isso, os envelopes da Coleta Missionária são distribuídos ao longo do mês de outubro, para que os fiéis possam realizar sua contribuição e entregá-la nas celebrações do Dia Mundial das Missões. A Coleta Missionária é a nossa ajuda concreta à missão universal da Igreja. É também um compromisso de colaboração com o Papa que, por meio do Dicastério para a Evangelização, apoia Igrejas locais que mais necessitam de auxílio espiritual e material.

Abertura do mês missionário

No Brasil, a abertura oficial do Mês Missionário acontece em duas missas no Santuário Nacional de Aparecida. A primeira no dia 30 de setembro às 18h na Basílica histórica e a segunda no dia 1o de outubro às 9h no altar central do Santuário, ambas transmitidas pela Rede Aparecida. Para dar visibilidade a abertura do mês missionário, será projetada no dia 1o de outubro, na imagem no Cristo Redentor da Arquidiocese do Rio de Janeiro, a identidade visual e a temática do mês missionário. Incentivamos para que em cada Igreja local também seja realizada a abertura do mês missionário e a utilização dos materiais de animação da Campanha Missionária.

Peçamos a intercessão de São Francisco Xavier e de Santa Teresinha do Menino Jesus, para que, na oração e no envio permanente, sejamos testemunhas do amor de Deus, que se renova em cada sim generoso dos irmãos e irmãs que seguem o mandato de Jesus Cristo: “Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).


Baixar todo material da Campanha Missionária: https://cm.pom.org.br/home/materiais/

28/09/2026

Encontro inter-religioso com o Papa Leão XIV em Mertz


 



Na sua quinta viagem internacional , depois de Paris e Lourdes, o Papa Leão chegou a Metz, uma cidade do nordeste da França. 

Ali realizou um encontro inter-religioso, no dia 28 de setembro. 

No encontro "nas raízes da Europa pela paz e unidade",  o Papa Leão XIV pediu "coragem nas negociações", pediu "esforços criativos para promover a paz mundial" e não apenas para "conter a hemorragia da guerra". 

O Papa manifestou "um profundo desejo de paz". 

final, os responsáveis das diferentes confissões religiosas em França assinaram  o ‘Apelo de Metz’  que afirma: “Nenhuma paz duradoura se constrói sem o outro, nem contra o outro”. 

“Opomo-nos muito particularmente ao veneno do totalitarismo do qual esta terra da Lorena tanto padeceu”, advertem os líderes cristãos, judeus e muçulmanos no documento conjunto, evocando as experiências da II Guerra Mundial.

A declaração inter-religiosa foi proclamada no Centro de Congressos Robert Schuman, reunindo figuras como o presidente da Federação Protestante de França, Christian Krieger, o grão-rabino Haïm Korsia, o reitor da Grande Mesquita de Paris, Chems-Eddine Hafiz e Anthony Boussemart, da União Budista.

Os signatários rejeitam a resignação perante os “poderes opressivos ou corruptos” e assumem que as diferentes fés detêm uma “responsabilidade particular na edificação e manutenção da paz no mundo”.

“O nome de Deus, tal como nenhuma verdade religiosa ou tradição espiritual, pode jamais ser invocado para justificar a violência e o ódio”, sublinha o manifesto, assinado pelo cardeal Jean-Marc Aveline, presidente da Conferência Episcopal Francesa em nome da Igreja Católica.

O texto manifesta “indignação” perante o recrudescimento de atos criminosos contra pessoas e locais de culto em solo francês, condenando “todas as formas de discriminação e todos os discursos de ódio”.

A declaração adverte que a pacificação “não se reduz à ausência de guerra” e exige a presença estrutural de justiça, de respeito pela dignidade humana e de solidariedade efetiva entre as gerações.

“Constatamos com gravidade que as nossas próprias sociedades não são poupadas a fraturas, discriminações e lógicas de rejeição que fragilizam a coesão entre as pessoas e os povos”, indicam os signatários.

Os líderes religiosos exigem a recusa das lógicas “de vingança, de rejeição e de humilhação” ligadas às feridas da História, apelando ao desenvolvimento de uma verdadeira “cultura de acolhimento e de fraternidade”.

O manifesto culminou na adoção de três compromissos práticos perante o Papa: prosseguir um diálogo assíduo e exigente, formar as jovens gerações no conhecimento mútuo das várias tradições e atuar de forma unida perante a adversidade.

“Nenhuma paz duradoura se constrói sem o outro, nem contra o outro”, remata o apelo.

A declaração é uma iniciativa da Conferência de Responsáveis do Culto de França (CRCF), organismo criado em 2010 que reúne representantes, das Igrejas cristãs (católica, ortodoxa e protestante), do budismo, do islamismo e do judaísmo. 

NA ÍNTEGRA, O DISCURSO DE LEÃO XIV 

ENCONTRO INTER-RELIGIOSO

DISCURSO DO SANTO PADRE

Centro de Congressos «Robert Schuman», em Metz
Segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Queridos irmãos e irmãs,

queridos amigos representantes das diferentes tradições religiosas,

É com profunda alegria, mas também com um vivo sentimento de responsabilidade espiritual, que me encontro hoje entre vós, em Metz, cidade de fronteiras e de passagens, no Centro de Congressos que tem o nome de Robert Schuman, um dos pais fundadores da União Europeia. Este homem de fé e convicções soube transformar as antigas linhas de divisão em pontes de esperança para toda a Europa, tornando-se um verdadeiro embaixador da unidade na diversidade. Seguindo o seu exemplo, a nossa responsabilidade comum de mulheres e homens religiosos é a de testemunhar que, para além das fronteiras, é sempre possível encontrar-nos, estabelecer amizades e construir a paz.

Dialogar não diminui a nossa identidade, mas expressa-a com simplicidade e verdade, abrindo-nos à diferença do outro. Como dizia o meu predecessor, o Papa Francisco: «O diálogo entre pessoas de diferentes religiões não se faz apenas por diplomacia, amabilidade ou tolerância. […] o objetivo do diálogo é estabelecer amizade, paz e harmonia» (Carta enc. Fratelli tutti, 271). Antes dele, o Papa João Paulo II considerava o diálogo como uma exigência intrínseca da própria natureza do homem (cf. Mensagem para o XXXIV Dia Mundial da Paz, 10, 1 de janeiro de 2001). O diálogo é, segundo Paul Ricœur, o caminho através do qual reconhecemos a alteridade como uma promessa e não como uma ameaça; situa-se no extremo oposto da agressividade e da violência e constitui uma arte do encontro.

Com efeito, invocar o nome de Deus para legitimar a violência ou a opressão configura uma profanação desse nome. Nada do que desfigura a dignidade humana pode reivindicar uma autêntica inspiração divina. O discurso religioso deve exortar constantemente ao desarmamento dos corações e das palavras. Isto implica a responsabilidade direta de cada um de nós, enquanto guardiães das nossas respectivas tradições.

Por outro lado, se a fecundidade das tradições religiosas se manifesta, acima de tudo, no seu serviço à paz e à fraternidade, ela expressa-se igualmente na sua capacidade de proteger, acompanhar e servir a vida. A grandeza de uma civilização não se mede pelos seus sucessos materiais, mas pela forma como acolhe, protege e eleva a pessoa humana. As religiões são guardiãs da vida; elas afirmam o seu valor sagrado. A sua fecundidade é demonstrada pela presença amorosa junto das pessoas mais frágeis e vulneráveis. Servir a vida é rodeá-la de cuidados, presença e ternura, sobretudo nas provações, até ao fim. Nós, que estamos abertos à transcendência, temos como missão oferecer pontos de referência sólidos, em particular aos jovens, para construir uma comunhão que respeite e valorize a dignidade de toda a pessoa humana.

Queridos amigos, «a Igreja considera todos os que procuram sinceramente a verdade, a bondade e a beleza como companheiros de caminho» (Carta enc. Magnifica Humanitas, 23). Agradeço mais uma vez a vossa proximidade e presença. Que a bondade infinita de Deus e a sua sabedoria nos acompanhem e ensinem a viver cada vez mais como seus filhos e como irmãos e irmãs entre nós. E que assim possamos ser, onde quer que vivamos, artesãos de paz e testemunhas de uma esperança que não cessa de crescer no nosso mundo.

Deus vos abençoe!

                                                                FONTE: vaticannews  

18/09/2026

Quinta viagem apostólica internacional de Leão XIV

 


De 25 a 28 de setembro acontece a quinta viagem internacional do Papa, à França, tendo como pano de fundo cenários grandiosos — Notre-Dame, Place de la Concorde e o Palácio do Eliseu, em Paris —, lugares marcados pela fé, como Lourdes, e outros, como Metz,  cidade natal de Robert Schuman, um dos fundadores da União Europeia. De Paris, Leão lançará uma mensagem para todo o continente. Na Unesco, estarão em pauta temas como arte, educação, meio ambiente e inteligência artificial, com referência à encíclica Magnifica humanitas.

Nos 15 discursos que o Papa fará— todos em francês, com exceção dos pronunciamentos na Unesco e em Metz, que serão em inglês — haverá referências às “situações de conflito” e à “solidariedade” demonstrada pela França ao longo dos séculos.

A mensagem geral do Papa à Igreja e, por meio dela, à sociedade será a da “busca da unidade”.

Fonte: Vatican News


Quem recebe misericórdia, aprende a oferecer misericórdia

 

As leituras de hoje - 17/09 -  nos mostram como Deus é misericordioso. Na primeira leitura, vemos essa misericórdia na vida de São Paulo. No Evangelho, vemos a mesma misericórdia na vida de uma mulher pecadora.

Dois pontos para nossa reflexão hoje: 

Primeiro, a graça de Deus é maior que o nosso passado. Na primeira leitura (Rm 3,21-30), São Paulo fala com sinceridade sobre sua própria história. Ele diz que é “o menor dos apóstolos” e que nem merece ser chamado apóstolo, porque havia perseguido a Igreja. Paulo não esconde seu passado, mas também não fica preso a ele.

Por isso, ele pode dizer “Pela graça de Deus, sou o que sou.” Aquele que antes perseguia os cristãos tornou-se um dos maiores anunciadores de Cristo. Deus não mudou o que Paulo havia feito, mas mudou o que Paulo ainda podia se tornar. A graça deu uma nova direção à sua vida.

Certa vez, fiquei com vontade de comer o joelho de porco que meu pai costumava preparar para nós quando eu era criança. Então tentei fazer na nossa comunidade. Quando provei, infelizmente, ficou não só muito salgado, mas também muito apimentado. Achei que tinha estragado tudo. Mas nossa cozinheira me disse “Ainda dá para salvar, padre.” Ela lavou a carne com água e cozinhou de novo. Aquilo que eu achava que estava perdido ainda podia ser recuperado.

Às vezes, olhamos para nossa vida da mesma maneira. Cometemos erros e começamos a pensar que estragamos tudo. Mas Deus não olha para nós assim. A graça não finge que o passado nunca aconteceu. Ela nos mostra que o passado não precisa decidir o nosso futuro. Aquilo que pensamos estar perdido ainda pode ganhar uma nova vida nas mãos de Deus.

Segundo, quem recebe misericórdia aprende a oferecer misericórdia. No Evangelho - Lc 11,47-54 - , uma mulher pecadora se aproxima de Jesus. Ela lava os pés dele com suas lágrimas, enxuga-os com seus cabelos e os unge com perfume.

Lembro-me de um amigo que, quando vai comprar legumes ou frutas na feira, examina tudo com muito cuidado. Vira de um lado para o outro, olha cada detalhe e, quando encontra um pequeno defeito, já deixa de lado. Às vezes penso que, se Deus fizesse compras como meu amigo, nenhum de nós iria para o carrinho. Todos temos defeitos, fraquezas e marcas do passado. Mas Deus não olha apenas para aquilo que está errado em nós. Ele olha para a pessoa por inteiro.

É isso que vemos no Evangelho. Simão olha para aquela mulher e vê apenas o seu passado. Jesus não nega o que ela viveu, mas também não a reduz ao seu passado. Ele vê seu arrependimento, seu amor e aquilo que a graça está realizando em sua vida.

E às vezes queremos misericórdia quando o erro é nosso, mas queremos justiça quando o erro é do outro. Quando nós erramos, queremos compreensão. Quando os outros erram, podemos julgar rapidamente. Jesus nos ensina outro caminho. Quem recebe misericórdia deve aprender também a oferecer misericórdia.

Peçamos ao Senhor a graça de confiar nosso passado à sua misericórdia e de olhar para os outros como Ele olha para nós. Amém.

Homilia do Pe. Reymel, ssp – 17/09/2026

MInistério da Visitação - Ir. Patricia Silva

X Dia Mundial dos Pobres - 15 de novembro 2026

                          vatican media     Os pobres dos nossos dias são os esquecidos e os marginalizados: privados de uma palavra e de um...