20/03/2026

Dia Internacional da Felicidade

 

Foto: freepik


O Dia Internacional da Felicidade é comemorado em 20 de março. Foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em julho de 2012 (resolução 66/281) e celebrado pela primeira vez em 2013. A data surgiu para reconhecer a felicidade e o bem-estar como direitos e metas universais na vida das pessoas e destacar a necessidade de políticas públicas focadas no desenvolvimento sustentável e na redução da pobreza.

A pesquisa da  Ipsos Happiness Report mostra que o país que encabeça o ranking  das pessoas felizes é a Indonésia (86%), seguida pelos Países Baixos (84%), México (83%) e Colômbia (83%).  O Brasil aparece em sétimo lugar.


A felicidade entre homens e mulheres


De acordo com o levantamento da Ipsos, 28% dos brasileiros se declararam “muito felizes”, o país. Já 20% disseram-se “não muito felizes” ou “nada felizes”. No nosso país a felicidade aparece fortemente associada ao amor e à espiritualidade. Já a infelicidade está ligada à situação financeira. Veja a lista dos 10 países mais felizes do mundo abaixo.


Da população brasileira, os homens são maioria entre os que se dizem “muito felizes”. O percentual atingiu 29%. Esse mesmo sentimento representa apenas 26% das mulheres.

O Dia Internacional da Felicidade, comemorado em 20 de março, foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em julho de 2012 (resolução 66/281) e celebrado pela primeira vez em 2013. A data surgiu para reconhecer a felicidade e o bem-estar como metas universais na vida dos seres humanos e destacar a necessidade de políticas públicas focadas no desenvolvimento sustentável e na redução da pobreza.

O dia visa lembrar que a maior riqueza de um país são as pessoas e que a busca pela felicidade é um direito fundamental.

Já quando entre os que são apenas “felizes”, as mulheres lideram com 54% contra 50% dos homens.

Assistir vídeos em https://www.worldhappiness.report/

Capítulo 1

Resumo executivo: felicidade e redes sociais

Capítulo 2

Evidências internacionais sobre felicidade e redes sociais

Capítulo 3

Capítulo 4

Traduzir evidências científicas em políticas eficazes para a saúde e a tecnologia exige cuidado.

Capítulo 5

Satisfação com a vida e uso de mídias sociais na adolescência: diferenças de gênero em um conjunto de dados internacional.

Capítulo 6

Redes sociais, perda de tempo e armadilhas de produtos

Capítulo 7

Uso problemático das redes sociais e bem-estar dos adolescentes: o papel do nível socioeconômico familiar em 43 países.

Capítulo 8

Uso da internet, redes sociais e bem-estar: o papel da confiança, das conexões sociais e dos laços emocionais.

Capítulo 9

Uso das redes sociais e bem-estar no Oriente Médio e Norte da África.

O Relatório Mundial da Felicidade é publicado pelo Centro de Pesquisa sobre Bem-Estar da Universidade de Oxford, em parceria com a Gallup, a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU e um conselho editorial independente.

As opiniões expressas neste relatório não refletem necessariamente as opiniões dos nossos parceiros, da Universidade de Oxford ou de qualquer organização, agência ou programa das Nações Unidas.

Para dúvidas gerais, entre em contato com info@worldhappiness.report .

Para informações à imprensa, entre em contato com media@worldhappiness.report .


fonte: https://www.worldhappiness.report/

02/03/2026

Novo arcebispo de Aparecida (SP)

O papa Leão XIV oficializou, hoje, (2/03), o novo arcebispo de Aparecida (SP): Dom Mário Antônio da Silva. Ele é natural de Itararé (SP), tem 59 anos. Vai substituir Dom Orlando Brandes, como 6º Bispo de Aparecida. 

Em 2007, Dom Mário foi nomeado Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Manaus. Em 2015, passou a ser Bispo Diocesano de Roraima. 

Em 2022 foi nomeado arcebispo de Cuiabá. Agora para Aparecida.

Formada por cinco municípios - Aparecida, Guaratinguetá, Lagoinha, Potim e Roseira – a Arquidiocese de Aparecida é composta por 18 paróquias e uma capelania militar. Seu lema episcopal, “Testemunhar e Servir” reflete sua entrega confiante à vontade de Deus.

A decisão ocorre após o Santo Padre acolher o pedido de renúncia de Dom Orlando Brandes, apresentado conforme estabelece o Código de Direito Canônico, que orienta os bispos a oferecerem sua renúncia ao completar 75 anos (cân. 401 §1). Na ocasião em que atingiu essa idade, o Papa Francisco, então Pontífice, pediu que Dom Orlando permanecesse por mais cinco anos à frente da Arquidiocese de Aparecida, prolongando seu pastoreio na Igreja particular confiada aos seus cuidados.

Atualmente arcebispo de Cuiabá (MT), Dom Mário tem sua trajetória marcada pela dedicação à missão evangelizadora e pela proximidade com as realidades pastorais do Centro-Oeste brasileiro. Seu lema episcopal“Testificari et ministrare” (“Testemunhar e Servir” em latim), sintetiza a identidade do discípulo missionário, chamado a anunciar Cristo com a vida e a colocar-se a serviço do povo de Deus.

23/02/2026

Mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma 2026

 


Escutar e jejuar.

Quaresma como tempo de conversão


Queridos irmãos e irmãs!

A Quaresma é o tempo em que a Igreja, com solicitude maternal, nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida, para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano.

Todo o caminho de conversão começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito. Existe, portanto, um vínculo entre o dom da Palavra de Deus, a hospitalidade que lhe oferecemos e a transformação que ela realiza. Por isso, o itinerário quaresmal torna-se uma ocasião propícia para dar ouvidos à voz do Senhor e renovar a decisão de seguir Cristo, percorrendo com Ele o caminho que sobe a Jerusalém, onde se realiza o mistério da sua paixão, morte e ressurreição.

Escutar

Este ano gostaria de chamar a atenção, em primeiro lugar, para a importância de dar lugar à Palavra através da escuta, pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro.

O próprio Deus, revelando-se a Moisés na sarça ardente, mostra que a escuta é uma característica distintiva do seu ser: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egito, e ouvi o seu clamor» (Ex 3, 7). Escutar o clamor dos oprimidos é o início de uma história de libertação, na qual o Senhor envolve também Moisés, enviando-o a abrir um caminho de salvação para os seus filhos reduzidos à escravidão.

É um Deus que nos envolve e, hoje, também vem até nós com os pensamentos que fazem vibrar o seu coração. Por isso, escutar a Palavra na liturgia educa-nos para uma escuta mais verdadeira da realidade: entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta. Entrar nesta disposição interior de receptividade significa deixar-se instruir hoje por Deus para escutar como Ele, até reconhecer que «a condição dos pobres representa um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida, as nossas sociedades, os sistemas políticos e econômicos e, sobretudo, a Igreja».[1]

Jejuar

Se a Quaresma é um tempo de escuta, o jejum constitui uma prática concreta que nos predispõe a acolher a Palavra de Deus. Na verdade, a abstinência de alimentos é um exercício ascético muito antigo e insubstituível no caminho da conversão. Precisamente porque implica o corpo, torna mais evidente aquilo de que temos “fome” e o que consideramos essencial para o nosso sustento. Portanto, é útil para discernir e ordenar os “apetites”, para manter vigilante a fome e a sede de justiça, subtraindo-a à resignação e instruindo-a a fim de se tornar oração e responsabilidade para com o próximo.

Com grande sensibilidade espiritual, Santo Agostinho deixa transparecer a tensão entre o tempo presente e a realização futura que atravessa esta salvaguarda do coração, quando observa que: «Ao longo da vida terrena, cabe aos homens ter fome e sede de justiça, mas ser saciados pertence à outra vida. Os anjos saciam-se deste pão, deste alimento. Os homens, pelo contrário, sentem fome dele, estão inclinados ao seu desejo. Esta inclinação ao desejo dilata a alma, aumentando a sua capacidade».[2] Compreendido neste sentido, o jejum permite-nos não só disciplinar o desejo, purificá-lo e torná-lo mais livre, mas também ampliá-lo, de tal modo que se volte para Deus e se oriente para agir no bem.

No entanto, para que o jejum conserve a sua autenticidade evangélica e evite a tentação de envaidecer o coração, deve ser sempre vivido com fé e humildade. Ele exige um permanente enraizar-se na comunhão com o Senhor, porque «não jejua verdadeiramente quem não sabe alimentar-se da Palavra de Deus».[3] Como sinal visível do nosso compromisso interior de, com o apoio da graça, nos afastarmos do pecado e do mal, o jejum deve incluir também outras formas de privação destinadas a fazer-nos assumir um estilo de vida mais sóbrio, pois «só a austeridade torna forte e autêntica a vida cristã».[4]

Por isso, gostaria de vos convidar a uma forma de abstinência muito concreta e frequentemente pouco apreciada, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo. Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias. Em vez disso, esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs. Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.

Juntos

Por fim, a Quaresma realça a dimensão comunitária da escuta da Palavra e da prática do jejum. A Escritura sublinha também este aspeto de várias maneiras. Por exemplo, ao narrar no livro de Neemias que o povo se reuniu para escutar a leitura pública do livro da Lei e, praticando o jejum, se dispôs à confissão de fé e à adoração, a fim de renovar a aliança com Deus (cf. Ne 9, 1-3).

Do mesmo modo, as nossas paróquias, famílias, grupos eclesiais e comunidades religiosas são chamadas a percorrer, durante a Quaresma, um caminho partilhado, no qual a escuta da Palavra de Deus, assim como do clamor dos pobres e da terra, se torne forma de vida comum e o jejum suporte um verdadeiro arrependimento. Neste contexto, a conversão diz respeito não só à consciência do indivíduo, mas também ao estilo das relações, à qualidade do diálogo, à capacidade de se deixar interpelar pela realidade e de reconhecer o que realmente orienta o desejo, tanto nas nossas comunidades eclesiais como na humanidade sedenta de justiça e reconciliação.

Caríssimos, peçamos a graça de uma Quaresma que torne os nossos ouvidos mais atentos a Deus e aos últimos. Peçamos a força dum jejum que também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro. E comprometamo-nos a fazer das nossas comunidades lugares onde o clamor de quem sofre seja acolhido e a escuta abra caminhos de libertação, tornando-nos mais disponíveis e diligentes no contributo para construir a civilização do amor.

De coração, abençoo todos vós e o vosso caminho quaresmal.


Vaticano, na Memória de Santa Ágata, virgem e mártir, 5 de fevereiro de 2026

Papa Leão XIV   

___________________

[1] Exort. ap. Dilexi te (4 de outubro de 2025), 9.

[2] Santo Agostinho, A utilidade do jejum, 1, 1.

[3] Bento XVI, Catequese (9 de março de 2011).

[4] São Paulo VI, Catequese (8 de fevereiro de 1978).

22/02/2026

MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV à CF 2026

 



MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV

AOS FIÉIS BRASILEIROS POR OCASIÃO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2026


Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Chegamos à época solene que nos lembra o dever de nos aplicarmos à prece e ao jejum mais do que em qualquer outro tempo do ano, iluminando nossas almas e disciplinando nossos corpos» (Sermão 210). Assim escreveu Santo Agostinho em um de seus sermões sobre o tempo litúrgico que estamos para iniciar, durante o qual recebemos um especial chamado de Deus a uma autêntica conversão, redirecionando toda a nossa vida para Ele, ao seguirmos, por meio do jejum e a penitência, os passos de Nosso Senhor que se retirou no deserto por quarenta dias. Neste tempo de intensa oração, somos igualmente convidados a praticar com renovado empenho a virtude da caridade com os mais pobres e necessitados, com os quais o próprio Cristo se identifica (cf. Mt 25, 35-40). O Espírito Santo, autor da nossa santificação, nos conduza ao longo deste caminho.

Com o intuito de animar o povo fiel em cada itinerário quaresmal, há mais de sessenta anos que a Igreja no Brasil realiza a Campanha da Fraternidade, momento em que, como comunidade de fé, dirige a sua ação pastoral e caritativa aos pobres, os verdadeiros destinatários do nosso amor preferencial, como fiz questão de recordar na Exortação Apostólica Dilexi te: convencidos de que «existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres» (n. 36), «devemos empenhar-nos cada vez mais em resolver as causas estruturais da pobreza» (n. 94). À semelhança do que havia sido feito em 1993, no presente ano, inspirados pelo lema “Ele veio morar entre nós” (cf. Jo 1, 14), a proposta apresentada é aquela de voltar o olhar para os nossos irmãos que sofrem com a falta de uma moradia digna.

O meu santo predecessor, São João Paulo II, convidava a voltar a atenção «para os milhões de seres humanos privados de uma habitação conveniente, ou até mesmo sem qualquer habitação, a fim de despertar a consciência de todos e encontrar uma solução para este grave problema, que tem consequências negativas no plano individual, familiar e social», afirmando que «a falta de habitações, que é um problema de per si muito grave, deve ser considerada como o sinal e a síntese de uma série de insuficiências econômicas, sociais, culturais ou simplesmente humanas» (Sollicitudo Rei Socialis, 17).

Neste sentido, é meu desejo que a reflexão sobre a dura realidade da falta de moradia digna, que afeta tantos irmãos nossos, leve não somente a ações isoladas – sem dúvida, necessárias – que venham de modo emergencial em seu auxílio, mas gere em todos a consciência de que a partilha dos dons que o Senhor generosamente nos concede não pode restringir-se a um período do ano, a uma campanha ou a algumas ações pontuais, mas deve ser uma atitude constante, que nos compromete a ir ao encontro de Cristo presente naqueles que não têm onde morar.

Desejo igualmente, queridos irmãos e irmãs, que as iniciativas nascidas a partir da Campanha da Fraternidade possam inspirar as autoridades governamentais a promover políticas públicas, a fim de que, trabalhando todos em conjunto, seja possível oferecer à população mais carente melhorias significativas nas condições de habitação.

Confio estes votos aos cuidados de Nossa Senhora, que não encontrou morada em Belém para dar à luz ao Redentor, mas que tem sua casa, como Rainha e Padroeira do Brasil, no Santuário Nacional de Aparecida. E, como penhor de abundantes graças, concedo de bom grado aos filhos e filhas da querida nação brasileira, de modo especial àqueles que se empenham para que todos tenham moradia digna, a Bênção Apostólica.


Leão XIV

12/02/2026

Hoje é dia de Irmã Dorothy

                                 


 
Há 21 anos, em 12 de fevereiro de 2005, em Anapu (PA). ocorreu o assassinato de Irmã Dorothy Stang, missionária  comprometida com a justiça, contra o desmatamento e pelos direitos das populações indígenas.

"Os bolsos de Dorothy estavam sempre cheios de sementes. Hoje, onde quer que eu vá, ouço dizer: 'ganhei esta planta de Dorothy'; 'esta palmeira é da Dorothy', afirma Jane Dwyer, que trabalhou durante muito tempo ao lado dela. 

As sementes germinaram. 

As sementes brotaram! Muitos assentamentos surgiram, inclusive o Assentamento Dorothy Stang, em Brasília (DF). 


As pessoas  nunca a esquecerão. Porque Dorothy deu a vida por elas. 


LEIA MAIS: Dorothy Stang

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09/02/2026

12º Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas

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MENSAGEM DE SUA SANTIDADE O PAPA LEÃO XIV

[8 de fevereiro de 2026]


A paz começa com a dignidade: um apelo global para acabar com o tráfico de pessoas


Queridos irmãos e irmãs

Por ocasião do 12º Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, renovo com firmeza o apelo urgente da Igreja para enfrentar e pôr fim a este grave crime contra a humanidade.

Este ano, em particular, desejo recordar a saudação do Senhor Ressuscitado: «A paz esteja convosco» (Jo 20, 19). Estas palavras são mais do que uma saudação; elas oferecem um caminho para uma humanidade renovada. A verdadeira paz começa com o reconhecimento e a proteção da dignidade dada por Deus a cada pessoa. No entanto, numa época marcada pela escalada da violência, muitos são tentados a buscar a paz «através das armas, como condição para afirmar o próprio domínio» (Discurso aos Membros do Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé, 9 de janeiro de 2026). Além disso, em situações de conflito, a perda de vidas humanas é muitas vezes descartada pelos instigadores da guerra como “dano colateral”, sacrificada em nome de interesses políticos ou económicos.

Infelizmente, a mesma lógica de domínio e desrespeito pela vida humana também alimenta o flagelo do tráfico de seres humanos. A instabilidade geopolítica e os conflitos armados criam um terreno fértil para os traficantes explorarem os mais vulneráveis, especialmente as pessoas deslocadas, os migrantes e os refugiados. Dentro deste paradigma falido, as mulheres e as crianças são as mais afetadas por este comércio hediondo. Além disso, o crescente abismo entre ricos e pobres força muitos a viver em circunstâncias precárias, deixando-os suscetíveis às promessas enganosas dos recrutadores.

Este fenômeno é particularmente perturbador no aumento da chamada “escravidão cibernética”, na qual os indivíduos são atraídos para esquemas fraudulentos e atividades criminosas, como fraude online e contrabando de drogas. Nesses casos, a vítima é coagida a assumir o papel de perpetrador, exacerbando as suas feridas espirituais. Estas formas de violência não são incidentes isolados, mas sintomas de uma cultura que se esqueceu de amar como Cristo ama.

Perante estes graves desafios, recorremos à oração e à reflexão. A oração é a “pequena chama” que devemos proteger no meio da tempestade, pois dá-nos força para resistir à indiferença perante a injustiça. A reflexão sobre o tema permite-nos identificar os mecanismos ocultos de exploração nos nossos bairros e nos espaços digitais. Em última análise, a violência do tráfico de seres humanos só pode ser superada através de uma visão renovada que considere cada indivíduo como um filho amado de Deus.

Desejo expressar a minha sincera gratidão a todos aqueles que servem como se fossem as mãos de Cristo, indo ao encontro das vítimas do tráfico, incluindo as redes e organizações internacionais. Gostaria também de agradecer aos sobreviventes que se tornaram advogados em defesa de outras vítimas. Que o Senhor os abençoe pela sua coragem, fidelidade e compromisso incansável.

Com estes sentimentos, confio quantos comemoram este dia à intercessão de Santa Josefina Bakhita, cuja vida é um poderoso testemunho de esperança no Senhor que a amou até ao fim (cf. Jo 13, 1). Juntemo-nos todos na caminhada rumo a um mundo onde a paz não seja apenas a ausência de guerra, mas seja “desarmada e desarmante”, enraizada no pleno respeito pela dignidade de todos.

Vaticano, 29 de janeiro de 2026

Leão PP. XIV

28/01/2026

Catequese do Papa: Dei Verbum

 Na Audiência Geral do dia 28 de janeiro de 2026, o Papa Leão XIV conduziu a Igreja a uma reflexão profunda sobre a Palavra de Deus como realidade viva, dinâmica e inseparável da Tradição. Ao retomar os grandes temas da Dei Verbum, o Pontífice recordou que a Revelação não pertence apenas ao passado, nem pode ser reduzida a um texto fixo ou a uma memória histórica: ela acontece, continua a se comunicar e se atualiza na vida concreta do povo de Deus.

Essa compreensão provoca uma pergunta fundamental: como escutamos hoje a Palavra de Deus? Ela é acolhida como força que interpela, transforma e orienta a existência, ou permanece confinada ao âmbito do ritual e do discurso religioso? Em um tempo marcado pela aceleração, pelo excesso de informações e pela superficialidade das escutas, o Papa convida a Igreja a redescobrir a centralidade de uma escuta profunda, paciente e comprometida.

Ao tratar da relação entre Escritura e Tradição, Leão XIV destacou que ambas formam uma única realidade viva, transmitida ao longo das gerações sob a ação do Espírito Santo. A Tradição não é repetição mecânica nem simples conservação do passado, mas processo vital, no qual a fé é compreendida, aprofundada e testemunhada em novos contextos históricos. Diante disso, surge outra questão decisiva: somos uma Igreja que transmite a fé como herança viva ou apenas como um conjunto de fórmulas a serem preservadas?

A Palavra de Deus, recordou o Papa, cresce na medida em que é acolhida, meditada e vivida. Ela se revela na escuta comunitária, na liturgia, na vida pastoral e nos desafios do mundo contemporâneo. Isso exige maturidade espiritual e discernimento, pois nem toda mudança é fidelidade, assim como nem toda conservação é garantia de autenticidade. Aqui emerge uma pergunta particularmente atual: como discernir, à luz do Espírito, o que é desenvolvimento legítimo da fé e o que é perda de seu sentido original?


Leão XIV também sublinhou a responsabilidade de toda a Igreja na guarda e na transmissão do depósito da fé. Essa missão não é exclusiva do Magistério, mas envolve pastores, teólogos, educadores e fiéis leigos. Tal afirmação provoca outra inquietação: de que modo cada cristão assume sua corresponsabilidade na transmissão da fé, especialmente às novas gerações? A Palavra anunciada encontra coerência na vida vivida?

Ao final de sua catequese, o Papa convidou os fiéis a retomarem o espírito da Dei Verbum, lembrando que Escritura, Tradição e Magistério só podem ser compreendidos em profunda unidade. Separá-los empobrece a fé; mantê-los unidos fortalece a Igreja em sua missão evangelizadora. Em tempos de crise de sentido, polarizações e fragilidade dos vínculos, permanece a pergunta que atravessa toda a audiência: estamos dispostos a deixar que a Palavra de Deus continue a nos converter, ou preferimos moldá-la às nossas certezas e conveniências?

A audiência do Papa Leão XIV, portanto, não se limita a uma explicação doutrinal, mas se apresenta como um chamado à conversão da escuta, à maturidade da fé e ao compromisso com uma Tradição verdadeiramente viva, capaz de falar ao coração do ser humano de hoje sem perder sua fidelidade ao Evangelho.