Páginas

18/09/2026

Quinta viagem apostólica internacional de Leão XIV

 


De 25 a 28 de setembro acontece a quinta viagem internacional do Papa, à França, tendo como pano de fundo cenários grandiosos — Notre-Dame, Place de la Concorde e o Palácio do Eliseu, em Paris —, lugares marcados pela fé, como Lourdes, e outros, como Metz,  cidade natal de Robert Schuman, um dos fundadores da União Europeia. De Paris, Leão lançará uma mensagem para todo o continente. Na Unesco, estarão em pauta temas como arte, educação, meio ambiente e inteligência artificial, com referência à encíclica Magnifica humanitas.

Nos 15 discursos que o Papa fará— todos em francês, com exceção dos pronunciamentos na Unesco e em Metz, que serão em inglês — haverá referências às “situações de conflito” e à “solidariedade” demonstrada pela França ao longo dos séculos.

A mensagem geral do Papa à Igreja e, por meio dela, à sociedade será a da “busca da unidade”.

Fonte: Vatican News


Quem recebe misericórdia, aprende a oferecer misericórdia

 

As leituras de hoje - 17/09 -  nos mostram como Deus é misericordioso. Na primeira leitura, vemos essa misericórdia na vida de São Paulo. No Evangelho, vemos a mesma misericórdia na vida de uma mulher pecadora.

Dois pontos para nossa reflexão hoje: 

Primeiro, a graça de Deus é maior que o nosso passado. Na primeira leitura (Rm 3,21-30), São Paulo fala com sinceridade sobre sua própria história. Ele diz que é “o menor dos apóstolos” e que nem merece ser chamado apóstolo, porque havia perseguido a Igreja. Paulo não esconde seu passado, mas também não fica preso a ele.

Por isso, ele pode dizer “Pela graça de Deus, sou o que sou.” Aquele que antes perseguia os cristãos tornou-se um dos maiores anunciadores de Cristo. Deus não mudou o que Paulo havia feito, mas mudou o que Paulo ainda podia se tornar. A graça deu uma nova direção à sua vida.

Certa vez, fiquei com vontade de comer o joelho de porco que meu pai costumava preparar para nós quando eu era criança. Então tentei fazer na nossa comunidade. Quando provei, infelizmente, ficou não só muito salgado, mas também muito apimentado. Achei que tinha estragado tudo. Mas nossa cozinheira me disse “Ainda dá para salvar, padre.” Ela lavou a carne com água e cozinhou de novo. Aquilo que eu achava que estava perdido ainda podia ser recuperado.

Às vezes, olhamos para nossa vida da mesma maneira. Cometemos erros e começamos a pensar que estragamos tudo. Mas Deus não olha para nós assim. A graça não finge que o passado nunca aconteceu. Ela nos mostra que o passado não precisa decidir o nosso futuro. Aquilo que pensamos estar perdido ainda pode ganhar uma nova vida nas mãos de Deus.

Segundo, quem recebe misericórdia aprende a oferecer misericórdia. No Evangelho - Lc 11,47-54 - , uma mulher pecadora se aproxima de Jesus. Ela lava os pés dele com suas lágrimas, enxuga-os com seus cabelos e os unge com perfume.

Lembro-me de um amigo que, quando vai comprar legumes ou frutas na feira, examina tudo com muito cuidado. Vira de um lado para o outro, olha cada detalhe e, quando encontra um pequeno defeito, já deixa de lado. Às vezes penso que, se Deus fizesse compras como meu amigo, nenhum de nós iria para o carrinho. Todos temos defeitos, fraquezas e marcas do passado. Mas Deus não olha apenas para aquilo que está errado em nós. Ele olha para a pessoa por inteiro.

É isso que vemos no Evangelho. Simão olha para aquela mulher e vê apenas o seu passado. Jesus não nega o que ela viveu, mas também não a reduz ao seu passado. Ele vê seu arrependimento, seu amor e aquilo que a graça está realizando em sua vida.

E às vezes queremos misericórdia quando o erro é nosso, mas queremos justiça quando o erro é do outro. Quando nós erramos, queremos compreensão. Quando os outros erram, podemos julgar rapidamente. Jesus nos ensina outro caminho. Quem recebe misericórdia deve aprender também a oferecer misericórdia.

Peçamos ao Senhor a graça de confiar nosso passado à sua misericórdia e de olhar para os outros como Ele olha para nós. Amém.

Homilia do Pe. Reymel, ssp – 17/09/2026

16/09/2026

Alteridade e voto: diálogo entre mulheres

 

freepik

Maria Clara Bingemer

 

A angústia e o desanimo é grande na medida em que se aproximam as eleições para presidente, governadores e representantes Legislativos. Os últimos dias foram de terror, gerando perplexidade em todos aqueles que amamos o Brasil e sonhamos com algum futuro para este país.

Será possível que não exista mais ninguém honesto por aqui? Ou se existir, será possível que essa voz da ética e da justiça esteja oculta e escondida, incapaz de se fazer ouvir em alguma instância? Como acreditar ainda no pátria amada, na patriazinha de Vinicius de Moraes se não podemos transmitir nem a filhos, nem a netos, nem a alunos algum motivo para ainda acreditar e não viajar no fim de semana das eleições, nem anular o voto em sinal de raiva e Descrença?

O artigo de uma mulher gaúcha, jornalista reconhecida e que leio todo domingo na revista do Globo, reavivou-me a esperança. E tão identificada me senti que espalhei seu texto aos quatro ventos, sedenta por ver se encontrava igual ou parecida ressonância por ele produzida. Devo dizer que as reações me surpreenderam. Vários grupos de WhatsApp dos quais participo começaram a replicá-lo e enviá-lo em várias direções.

Martha Medeiros com sua linguagem ágil e certeira nos ensina ali que voto é algo que se realiza a partir do outro, da alteridade a partir da qual existimos e somos. Como diz o filósofo judeu lituano Emmanuel Levinas, é o outro que me diz quem eu sou e é a partir dele que posso entender-me a mim mesma.

Sem citar Levinas, mas sim trazendo sua experiência vital, Martha avisa aos candidatos que não devem preocupar-se com ela. Já seus direitos e desejos estão sobejamente atendidos pela família no seio da qual nasceu, pelas circunstâncias socioeconômicas que foram as suas, pelos privilégios que sempre teve, quais sejam: saúde, educação, Carinho, trabalho. Os candidatos deveriam não se preocupar em atender necessidades de quem não as tem e sobretudo de quem na verdade os elege para poder continuar mantendo seus privilégios e a superfluidade de suas vidas. Devem sim, responder aos que são privados e espoliados de seus direitos desde o mais elementar até o mais complexo.

Que tal começar por comer? Trata-se de uma evidência? Pois Leitor/leitora, não o é para muitíssimas pessoas neste país imenso. Martha celebra a certeza de que almoçará no dia seguinte, informando então que há muitos que não têm essa certeza. Não se trata de saber o que vai comer, mas se vai comer. Segundo o profeta Dom Pedro Casaldáliga, arcebispo de São Felix do Araguaia, falecido em 2020, só existem dois absolutos: Deus e a fome. Seguindo esse grande místico e mestre, a certeza de Martha Medeiros nos diz que o voto deve ir na direção daquele candidato que terá como prioridade do seu governo extinguir a fome entre a população brasileiro.

O rosto plural e desnutrido da alteridade cresce à nossa frente, quando pensamos que comemoramos estar o Brasil agora for a do mapa da fome. É realmente uma excelente notícia. Mas o processo precisa continuar. Segundo a ONU, o país manteve a proporção da população subnutrida abaixo de 2,5% entre 2023 e 2025. No entanto, 2,5% perfazem mais de 5 milhões de brasileiros, que parece que ainda vivem em insegurança alimentar severa, não podendo nutrir-se do que necessitam para continuar vivos.

A escritora menciona rostos diversos que povoam o planeta da alteridade brasileira: "quem tem 3 anos e é cuidado por um irmãozinho de 9, enquanto a mãe realiza serviços domésticos na casa dos outros — aos sábados, inclusive; quem tem 12 e teve que sair da escola para ajudar na renda familiar; quem tem 24 e ainda não conseguiu o primeiro emprego"".

Todos esses outros se encontram nos grotões da miséria que ainda existem país afora. Ou estão nas ruas por onde passamos, na porta de nossas casas, na mídia como vítimas da violência diária. Martha avisa aos candidatos à presidência que é em direção a estes e estas que deve ir sua preocupação. Não em reforçar privilégios de quem já os tem.

Voltando a Levinas, a alteridade preside a relação ética em que o "eu" assume uma responsabilidade infinita e incondicional pelo outro visto como um ser transcendente que não pode ser reduzido ao conhecimento racional. O outro é um mistério imanipulável e seu rosto é a manifestação dessa presença viva e vulnerável. O outro traz consigo um mandamento ético fundamental: "Não matarás".

Isso nos diz que nosso voto é de suma importância. Pode fazer acontecer a vida ou a morte. Talvez não para nós, mas para outros que vivem no limite do possível do que seja uma vida decente. Votar em quem não priorizará essas urgências para que haja vida é, no dizer de Martha – expressão que assumo também como minha – uma indecência.

Não sabemos o que nos reservam as semanas que ainda nos separam do primeiro turno. Para mim, no entanto, essa coluna de uma irmã de gênero e sensibilidade, lançou uma luz de esperança. Obrigada, Martha.

 


Maria Clara Bingemer é teóloga e pesquisadora do programa de pós-graduação em teologia da PUC-Rio, onde foi professora titular por mais de 40 anos. Escreveu entre outros livros A sede de Deus nos desertos contemporâneos: Aproximações teopoéticas, SP, Recriar, 2025.

MInistério da Visitação - Ir. Patricia Silva

Catequese do Papa Leão: Vida matrimonial na Gaudium et Spes

  Papa saúda casal de noivos - Vatican media Vida matrimonial e familiar foi tema da catequese do Papa Leão XIV retomou nesta quarta-feira, ...