Páginas

29/03/2024

PARA REZAR (PAPA FRANCISCO)

 

Senhor,

desarmai a mão levantada do irmão contra o irmão

Pai misericordioso,

que fazeis nascer o sol

sobre bons e maus,

não abandoneis a obra das vossas mãos, 

pela qual não hesitastes

em entregar o vosso único Filho,

nascido da Virgem,

crucificado sob Pôncio Pilatos,

morto e sepultado

no coração da terra,

ressuscitado dentre os mortos ao terceiro dia,

apareceu a Maria de Magdala,

a Pedro,

aos outros apóstolos e discípulos,

sempre vivo na santa Igreja,

o seu Corpo vivo no mundo.

 

Mantende acesa nas nossas famílias

e comunidades

a lâmpada do Evangelho,

que ilumina alegrias e sofrimentos,

fadigas e esperanças:

cada casa espelhe o rosto da Igreja,

cuja lei suprema é o amor.

Pela efusão do vosso Espírito,

Ajudai-nos a despojar

do homem velho,

corrompido pelas paixões enganadoras,

e revesti-nos do homem novo,

criado segundo a justiça e a santidade.

 

Segurai-nos pela mão, como um Pai,

para que não nos afastemos de Vós;

convertei ao vosso coração

os nossos corações rebeldes,

para que aprendamos

a seguir desígnios de paz;

fazei que os adversários

se deem as mãos,

para que saboreiem

o perdão recíproco;

desarmai a mão levantada

do irmão contra o irmão,

para que, onde há ódio,

floresça a concórdia. 

Fazei que não nos comportemos

como inimigos da cruz de Cristo,

para participar na glória

da sua ressurreição.

Ele que vive e reina convosco,

na unidade do Espírito Santo,

para sempre.

Amém.

( Papa Francisco)


 

 

 

17/03/2024

São Patrício - 17 de março

Oração de São Patrício

São Patrício:  Apóstolo da Irlanda; Taumaturgo

Nascimento Banwen (Inglaterra)

Morte 17 de março de 461 (74 anos), Down, Irlanda

Veneração por:

Igreja Católica

Igreja Anglicana

Igrejas Orientais

Principal templo Catedral de São Patrício (Nova Iorque).

Festa litúrgica 17 de março

Atribuições pregar o cristianismo na Irlanda; fundar a primeira diocese irlandesa; ser o primeiro a incetivar a confissão particular;

A pequena localidade galesa de Banwen (Grã-Bretanha) é frequentemente referida como seu lugar de nascimento, embora haja hipóteses sobre este fato.

Quando tinha dezesseis anos foi capturado e vendido como escravo para a Irlanda a piratas pagãos irlandeses, de onde escapou e retornou à casa de sua família seis anos mais tarde, iniciando então sua vida religiosa.

Posteriormente retornou à ilha de onde fugira para pregar o evangelho. Quando voltou para sua terra natal, Patrício sonhou com as crianças irlandesas implorando para que ele levasse a elas o evangelho: "Imploramos que você venha e caminhe entre nós uma vez mais." Como achava que não tinha a compreensão adequada da fé, Patrício voltou para a França a fim de estudar em um mosteiro. Por volta do ano 432, ele voltou à Irlanda.

Para explicar como a Santíssima Trindade era três e um ao mesmo tempo utilizava o trevo de três folhas, tornando-se parte da cultura Irlandesa. Foi incentivador do sacramento de confissão particular, tal como conhecemos hoje, visto que antes o mesmo era realizado de forma pública. Um século mais tarde essa prática se propagou na Europa.

A crença popular atribui a São Patrício o desaparecimento das cobras da ilha onde fica a Irlanda, sendo a razão de em algumas gravuras do santo ele aparecer esmagando esses animais com um cajado. Mas algumas evidências científicas sugerem que a Irlanda pós-Era Glacial não era habitada por serpentes, devido à posição geográfica.

Muito reverenciado nos Estados Unidos devido ao grande número de imigrantes irlandeses. Em Manhattan, Nova Iorque, há uma catedral com o seu nome, sede da arquidiocese da metrópole. No dia 17 de março há diversas comemorações na Irlanda e nos Estados Unidos, conhecidas como paradas de São Patrício, onde ocorrem festejos e desfiles em memória do santo, sendo essa a principal forma de afirmação do orgulho dos imigrantes e descendentes de irlandeses na América.

Há duas versões de cruzes associadas com São Patrício.

Uma é a cruz pátea



                    A Cruz Pátea tem o seu início num Ponto, o qual para além de representar a origem de tudo quanto existe, representa também a Força Criadora do Cosmos, a síntese de todos os possíveis tangíveis e intangíveis, o princípio de toda a Emanação Divina.

Sem o poder do Ponto, que trouxe a desordem para o Universo, a Natureza não teria conhecido a desarmonia, e por conseguinte, nunca se teria separado das leis prescritas pelo Eterno. Todavia, apesar da sua aparente desordem, quando a consideramos como sendo a câmara que gera e difunde universalmente a vida, percebemos quanto ela é maravilhosa em suas criações, e por isso estamos muito gratos a esse ponto divino que a gerou.

Neste princípio, tal como o Universo conhecido nasceu a partir do ponto, também a partir deste, onde a dualidade não se manifesta, começa também a ser traçada a Cruz Pátea, e tal como a manifestação divina se expande em todas as direcções do espaço, também os braços da Cruz Pátea o fazem, até encontrarem a limitação circular que lhe fora imposta pelo Compasso, símbolo do espírito e da precisão matemática, cujo testemunho simbólico é de que o Caos já se encontra ordenado e que o regresso da pluralidade à unidade é uma verdade latente e incontestável das leis universais.

Por outro lado, os “Quatro Braços Externos” da Cruz Pátea, a “cheio” e de cor vermelha,  representam o Mundo Material, a Obra Manifestada por excelência, que nas ciências herméticas é simbolizada pelos Quatro Elementos: Fogo, Ar, Terra e Água.

Em verdade, os “Quatro Braços Externos” da Cruz Pátea também advertem o Iniciado para a importância que têm as Quatro Virtudes Cardeais: Força, Justiça, Temperança e Prudência, no contacto que este estabelece com o mundo exterior, como também o adverte para a existência dos Quatro verbos Mágicos: Saber, Ousar, Querer e Calar. Pois será através destes princípios fundamentais que o Iniciado poderá transformar as suas ideias em manifestações materializadas. E tanto mais, que tendo os braços externos da Cruz Pátea origem no Centro, as Quatro Virtudes e os Quatro Verbos Mágicos representam também a forma que o Criador deu à Obra Manifestada. Pelo que o Iniciado ao desenvolver as Virtudes mencionadas a par com os Verbos Mágicos, poderá expressar na materialidade a Vontade Divina.

Por sua vez, os Braços Externos da Cruz Pátea dão lugar à formação de “Quatro Braços Internos”, formados pelo espaço “invisível”, não material e de trajecto contrário aos Braços Externos. Pelo que estes simbolizam o Mundo invisível e as manifestações não visíveis. Relembrando assim ao Iniciado, que o que imprime movimento ao mundo Criado é a Força e a Vontade do mundo não manifestado, pois é através do espaço representado pelos Braços Internos que os Braços Externos da Cruz Pátea adquirem a capacidade de se movimentarem. Pois, tal como estes, será a Força Interior do Iniciado que terá de se manifestar no exterior e não o seu contrário. Em verdade, o desenvolvimento interno conduz posteriormente a uma manifestação externa.

Os Quatro Braços Internos, ao contrário dos Quatro Braços Externos da Cruz Pátea, apontam, como setas, para o centro, representado pelo Ponto. Estas “setas” lembram ao Iniciado a efusão do Espírito Santo no Pentecostes e a caridade que reúne os graus do ser. Símbolo por excelência do homem novo.

Por outro lado, a soma dos Quatro Braços Externos (Mundo Externo) com os Quatro Braços Internos (Mundo Interno) conduz-nos ao Número Oito. O número que personifica a Unidade indispensável ao início de um novo ciclo. O Iniciado ao compreender e aplicar no seu desenvolvimento pessoal os segredos revelados pela Cruz Pátea, sentirá a necessidade de procurar o seu Centro, a sua Matriz criadora. E, ao encontrar este Centro divino, ele dará inicio a uma nova vida, a um novo ciclo.

O Oito simboliza a encarnação do Espírito na Matéria, a ideia de Morte e Transformação encontra-se sempre nele presente. Claro que trata-se de uma Morte Mística, na qual o Iniciado morre para a sua velha natureza e renasce como um Novo Homem pronto a cumprir o seu Ministério, ou seja, de uma existência inconsciente e regida pela sua natureza inferior, o Iniciado passa a uma existência consciente regida pelo seu Eu Superior. Então, este Novo Homem perfeito passa a ser simbolizado pelo Ponto. Pois ele soube metamorfosear-se num Deus em potência e em acção. A partir desse momento o Iniciado poderá dar início à construção da sua própria Cruz Pátea. Partindo do Ponto, com o esquadro e o compasso traça o seu eixo e o Círculo limitador. Em suma, o Número Oito, o número templário por excelência simboliza a síntese dos ensinamentos da Cruz Pátea.

A outra é o sautor vermelho


A Bandeira de São Patrício (irlandês: Cros Phádraig) é uma bandeira da Irlanda que compõe a bandeira do Reino Unido. É um sautor gules (uma cruz em forma de X) num campo argent. Diz-se representar São Patrício, o santo padroeiro da Irlanda. Também é conhecida como a Cruz de São Patrício ou Sautor de São Patrício.O sautor foi originalmente o emblema da Ordem de São Patrício, fundada na Irlanda em 1783, porém, a cruz pátea é a mais antiga, datando a 1461.

No Brasil, o primeiro registro de Dia do São Patrício foi ocorrido em 17 de março de 1770 em uma igreja construída em homenagem ao santo por Lancelot Belfort (1708-1775). A igreja estava localizada em sua propriedade, conhecida como Kilrue, às margens do rio Itapecurú, em Maranhão, no norte do Brasil.



Rezo com São Patrício


Cristo guarde-me hoje,

Cristo comigo, 

Cristo à minha frente, 

Cristo atrás de mim,

Cristo em mim,

 Cristo abaixo de mim, 

Cristo acima de mim,

Cristo à minha direita, 

Cristo à minha esquerda,

Cristo quando durmo

Cristo quando me levanto,

Cristo no coração de todos 

os que pensarem em mim,

Cristo na boca de todos 

que falarem em mim,

Cristo em todos os olhos 

que me virem,

Cristo em todos os ouvidos 

que me ouvirem.

Levanto-me, 

Por uma grande força,

pela invocação da Trindade,

Pela fé na Trindade,

Pela afirmação da Unidade,

Pelo Criador da Criação.

Amém. 

 (São Patrício, 377-461)




13/03/2024

Parabéns e gratidão, Papa Francisco!

 

Comemoramos, hoje, 11 anos do pontificado do Papa Francisco

Por Patrícia Silva, fsp

Parabéns e nossa gratidão ao Papa Francisco que hoje completa 11 anos de pontificado. Foi eleito no dia 13 de março de 2013 com a maioria de dois terços dos 115 cardeais eleitores. À multidão reunida na Praça de S. Pedro, Francisco pediu orações.

Francisco, sj, Jorge Mario Bergoglio, natural de Buenos Aires, Argentina (17 de dezembro de 1936), é o primeiro papa da Companhia de Jesus, o primeiro das Américas, o primeiro do Hemisfério Sul, e o primeiro nascido ou criado fora da Europa.

Estilo despojado de viver

Sendo um jesuíta, membro de uma ordem religiosa onde se professam votos de pobreza, Francisco é conhecido por um estilo pessoal despojado de viver. Como cardeal em Buenos Aires, vivia num pequeno e austero quarto atrás da Catedral Metropolitana e usava para se locomover, normalmente, apenas transporte público, como metrô e ônibus, além de cozinhar a própria refeição.

Como Papa, continuou a usar o crucifixo que usava quando cardeal. Crucifixo de aço e não de ouro. Também optou por continuar a fazer uso de sapatos totalmente pretos, em vez dos tradicionais múleos (de couro vermelho), como usavam os papas anteriores.

Francisco dispensou a limusine blindada papal para comparecer a um primeiro encontro, na residência de Santa Marta, no dia seguinte de sua eleição, preferindo um veículo comum, e espantou a todos ao pagar pessoalmente a conta do hotel onde se hospedou para o Conclave, hotel pertencente à própria Igreja Católica.

Dias depois de eleito, surpreendeu o telefonista de uma ordem jesuíta em Roma, ao ligar pessoalmente querendo falar com um padre amigo e anunciando-se ao atendente e ouvindo de volta: "Você é o novo Papa? Ah sim, e eu sou Napoleão!".

Na semana seguinte à que foi eleito, ele ligou direto do Vaticano para a banca da Praça de Maio, em Buenos Aires, onde comprava os seus jornais e revistas quando vivia na cidade, para cumprimentar o jornaleiro, seu amigo de muitos anos, e avisar que dificilmente voltariam a se ver. Nesta ocasião, ao ter sua chamada novamente confundida com um trote, foi chamado de "idiota".

Escritos de Francisco

Muitas são as publicações do Papa Francisco. Entre os documentos da Igreja, destacam-se:

Lumen fidei (Luz da Fé), assinada em 29 de junho de 2013, publicada em 5 de julho de 2013. Primeira encíclica do seu pontificado, que havia sido iniciada por Bento XVI.

Laudato si' (Louvado Seja), publicada em 18 de junho de 2015, apela à ação contra o aquecimento global e a degradação do meio ambiente.

Fratelli tutti (Todos irmãos – sobre a fraternidade e a amizade social).

 

Exortações apostólicas

Evangelii Gaudium (Alegria do Evangelho), em 2013

Amoris laetitia (Alegria do Amor), em 2016.

Exortação Apostólica sobre a alegria do amor na família, em 2016.

Gaudete et exsultate (Alegrai-vos e exultai!), publicada em 2018.

Sobre o chamado à santidade no mundo atual

Christus vivit, em 2019.

 Querida Amazônia, em 2019.

Laudate Deum, em 2023

 

Carta Apostólica

Vos estis lux mundi (Vós sois a luz do mundo), em 2019, sobre a luta contra a pedofilia na Igreja

Escreveu outros documentos e fez inúmeras viagem e discursos que podem ser vistos em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals.html

 Um pastor, como o Pai

Em 31 de outubro de 2023, dizia Francisco:

“Por alguém ser Papa, não perde a sua humanidade. Pelo contrário, a minha humanidade cada dia cresce mais com o povo santo e fiel de Deus. Porque ser Papa também é um processo. Vai-se tomando consciência do que significa ser pastor. E neste processo aprende a ser mais caridoso, mais misericordioso e, sobretudo, mais paciente, como o nosso Deus Pai, que é tão paciente. E rezem por mim".


Fontes: Vatican news    https://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Francisco   vatican.va


01/03/2024

Dia Mundial da Oração


Hoje, 1º de março, é Dia Mundial da Oração

O Dia Mundial de Oração é realizado, a cada ano, na primeira sexta-feira do mês de março, em mais de 170 países. Você já parou para pensar no significado de rezar?                                                                                                                               Veja que reflexão interessante em                                                                                                                                                            https://universo.paulinas.com.br/conteudo/rezar-faz-bem-para-a-saude/52

15/02/2024

Relatório do Sínodo - uma Igreja que envolve todos e está próxima das feridas do mundo

Foi publicado o Relatório de Síntese na conclusão da XVI Assembleia Geral do Sínodo sobre a Sinodalidade. Em vista da segunda sessão em 2024, são oferecidas reflexões e propostas sobre temáticas como o papel das mulheres e dos leigos, o ministério dos bispos, o sacerdócio e o diaconato, a importância dos pobres e migrantes, a missão digital, o ecumenismo e os abusos.

Mulheres e leigos, diaconato, ministério e magistério, paz e meio ambiente, pobres e migrantes, ecumenismo e identidade, novas linguagens e estruturas renovadas, antigas e novas missões (também digitais), ouvir todos e aprofundar - não superficialmente - sobre tudo, mesmo as questões mais "polêmicas". Há um olhar renovado sobre o mundo e a Igreja e e às suas instâncias, no Relatório de Síntese aprovado e publicado neste sábado (28) pela XVI Assembleia Geral do Sínodo sobre a Sinodalidade. Após quatro semanas de trabalho, que começaram em 4 de outubro na Sala Paulo VI, o evento eclesial conclui neste sábado (28), no Vaticano, a sua primeira sessão.

Cerca de 40 as páginas do documento, fruto do trabalho da assembleia que "se realizou enquanto velhas e novas guerras assolam o mundo, com o drama absurdo de inúmeras vítimas". "O grito dos pobres, dos que são obrigados a migrar, dos que sofrem violência ou sofrem as consequências devastadoras das mudanças climáticas ressoou entre nós, não só através da mídia, mas também das vozes de muitos, pessoalmente envolvidos com suas famílias e povos nesses trágicos acontecimentos", diz o documento (Premissa).

A esse desafio e a muitos outros, a Igreja universal tentou oferecer uma resposta nos Círculos Menores e nas intervenções. Tudo foi reunido no Relatório de Síntese, dividido em três partes, que traça o caminho para o trabalho a ser realizado na segunda sessão em 2024.

Ouvir todos, começando pelas vítimas de abusos

Como na Carta ao Povo de Deus, a assembleia sinodal reafirmou "a abertura para ouvir e acompanhar todos, inclusive aqueles que sofreram abusos e ferimentos na Igreja" (1 e). Ao longo do caminho a ser percorrido "rumo à reconciliação e à justiça", "é preciso abordar as condições estruturais que permitiram tais abusos e fazer gestos concretos de penitência".

O rosto de uma Igreja sinodal

A sinodalidade é um primeiro passo. Um termo que os próprios participantes do Sínodo admitem ser "desconhecido para muitos membros do Povo de Deus" e "desperta confusão e preocupação em alguns" (1 f), entre aqueles que temem um afastamento da tradição, um rebaixamento da natureza hierárquica da Igreja (1 g), uma perda de poder ou, ao contrário, imobilidade e falta de coragem para mudar. Em vez disso, "sinodal" e "sinodalidade" são termos que "indicam um modo de ser Igreja que articula comunhão, missão e participação". Portanto, uma maneira de viver a Igreja, valorizando as diferenças e desenvolvendo o envolvimento ativo de todos. Começando pelos presbíteros e bispos: "uma Igreja sinodal não pode prescindir de suas vozes" (1 n), se lê no documento. "Precisamos entender as razões da resistência à sinodalidade por parte de alguns deles".

Missão

A sinodalidade anda de mãos dadas com a missão, portanto, é necessário que "as comunidades cristãs compartilhem a fraternidade com homens e mulheres de outras religiões, convicções e culturas, evitando, por um lado, o risco da autorreferencialidade e da autopreservação e, por outro, o da perda de identidade" (2 e). Nesse novo "estilo pastoral", parece importante para muitos tornar "a linguagem litúrgica mais acessível aos fiéis e mais incorporada à diversidade de culturas" (3 l).

Os pobres ao centro

Um amplo espaço no Relatório é dedicado aos pobres, que pedem à Igreja "amor" entendido como "respeito, acolhimento e reconhecimento" (4 a). "Para a Igreja, a opção pelos pobres e descartados é uma categoria teológica antes de ser cultural, sociológica, política ou filosófica" (4 b), reitera o documento, identificando como pobres também os migrantes, os indígenas, as vítimas de violência, de abusos (especialmente mulheres), de racismo e tráfico, pessoas com vícios, minorias, idosos abandonados, trabalhadores explorados (4 c). "Os mais vulneráveis dos vulneráveis, para os quais é necessária uma defesa constante, são as crianças no ventre materno e suas mães", diz o texto da assembleia, que afirma estar "ciente do grito dos 'novos pobres' produzido pelas guerras e pelo terrorismo, também causado por 'sistemas políticos e econômicos corruptos'".

Compromisso dos crentes com a política e o bem comum

Nesse sentido, exorta-se um comprometimento da Igreja tanto com a "denúncia pública das injustiças" perpetradas por indivíduos, governos e empresas quanto com o engajamento ativo na política, nas associações, nos sindicatos e nos movimentos populares (4g). Sem descuidar da ação consolidada da Igreja nos campos da educação, da saúde e da assistência social, "sem qualquer discriminação ou exclusão de quem quer que seja" (4 k).

Migrantes

O foco se concentra nos migrantes e refugiados, "muitos dos quais carregam as feridas do desenraizamento, da guerra e da violência". Eles "se tornam uma fonte de renovação e enriquecimento para as comunidades que os acolhem e uma oportunidade de estabelecer um vínculo direto com Igrejas geograficamente distantes" (5d). Diante de atitudes cada vez mais hostis em relação a eles, o Sínodo convida "a praticar uma acolhida aberta, a acompanhá-los na construção de um novo projeto de vida e a construir uma verdadeira comunhão intercultural entre os povos". Fundamental nesse sentido é o "respeito às tradições litúrgicas e às práticas religiosas", bem como à linguagem.

Por exemplo, uma palavra como "missão", nos contextos em que "a proclamação do Evangelho tem sido associada à colonização e até mesmo ao genocídio", está carregada de "um doloroso legado histórico" e dificulta a comunhão (5 e). "Evangelizar nesses contextos requer o reconhecimento dos erros cometidos, aprendendo uma nova sensibilidade para essas questões", afirma o documento.

Combater o racismo e a xenofobia

Pede-se igual empenho e cuidado da Igreja "em educar para uma cultura do diálogo e do encontro, combatendo o racismo e a xenofobia, especialmente nos programas de formação pastoral" (5 p). Também é urgente "identificar os sistemas que criam ou mantêm a injustiça racial dentro da Igreja e combatê-los" (5 q).

Igrejas Orientais

Ainda sobre o tema da migração, o olhar vai para a Europa Oriental e os recentes conflitos que causaram o fluxo de numerosos fiéis do Oriente católico para territórios de maioria latina. "É necessário", diz o pedido dos padres, "que as Igrejas locais de rito latino, em nome da sinodalidade, ajudem os fiéis orientais que emigraram a preservar a sua identidade", sem passar por "processos de assimilação" (6c).

No caminho da unidade dos cristãos 

No que diz respeito ao ecumenismo, fala-se de uma "renovação espiritual" que requer "processos de arrependimento" e "cura da memória" (7c); em seguida, cita a expressão do Papa de um "ecumenismo do sangue", ou seja, "cristãos de diferentes pertenças que juntos dão a vida pela fé em Cristo" (7d) e se relança a proposta de um martirológio ecumênico (7o). O Relatório também reitera que a "colaboração entre todos os cristãos" é um recurso "para curar a cultura do ódio, da divisão e da guerra que coloca grupos, povos e nações uns contra os outros". Ele não esquece a questão dos chamados casamentos mistos, que são realidades nas quais "podemos evangelizar uns aos outros" (7 f).

Leigos e famílias (PARTE II)

"Os leigos e as leigas, os consagrados e as consagradas, e os ministros ordenados têm igual dignidade" (8 b): esse pressuposto é reiterado com força no Relatório de Síntese, que lembra como os fiéis leigos "estão cada vez mais presentes e ativos também no serviço dentro das comunidades cristãs" (8 e). Educadores na fé, teólogos, formadores, animadores espirituais e catequistas, ativos na salvaguarda e na administração: sua contribuição é "indispensável para a missão da Igreja" (8 e). Os diferentes carismas devem, portanto, ser "evidenciados, reconhecidos e plenamente valorizados" (8 f), e não menosprezados, apenas suprindo a falta de sacerdotes, ou pior, ignorados, subutilizados e "clericalizados" (8 f).

Mulheres

Forte é o compromisso pedido à Igreja, então, para o acompanhamento e a compreensão das mulheres em todos os aspectos de suas vidas, incluindo os pastorais e sacramentais. As mulheres, diz o documento, "exigem justiça em uma sociedade marcada pela violência sexual e desigualdades econômicas, e pela tendência de tratá-las como objetos" (9 c). "O acompanhamento e a forte promoção das mulheres andam de mãos dadas".

Clericalismo e machismo

Muitas mulheres presentes no Sínodo "expressaram profunda gratidão pelo trabalho dos padres e bispos, mas também falaram de uma Igreja que fere" (9f). "O clericalismo, o machismo e o uso inadequado da autoridade continuam a marcar a face da Igreja e a prejudicar a comunhão". É necessária uma "profunda conversão espiritual e mudanças estruturais", bem como "um diálogo entre homens e mulheres sem subordinação, exclusão ou competição" (9 h).

Diaconato feminino

As opiniões variam sobre o acesso das mulheres ao diaconato (9 j): para alguns, é um passo "inaceitável", "em descontinuidade com a Tradição"; para outros, restauraria uma prática da Igreja primitiva; outros ainda o veem como "uma resposta apropriada e necessária aos sinais dos tempos" para "renovar a vitalidade e a energia da Igreja". Há ainda aqueles que expressam "o temor de que esse pedido seja a expressão de uma perigosa confusão antropológica, aceitando que a Igreja se alinhe com o espírito dos tempos".

Os padres e as mães do Sínodo pedem para continuar "a pesquisa teológica e pastoral sobre o acesso das mulheres ao diaconato", usando os resultados das comissões especialmente criadas pelo Papa e a pesquisa teológica, histórica e exegética já realizada: "se possível, os resultados devem ser apresentados na próxima sessão da Assembleia" (9 n).

Discriminação e abusos

Enquanto isso, a urgência de "garantir que as mulheres participem dos processos de tomada de decisão e assumam papéis de responsabilidade no cuidado pastoral e no ministério" é reiterada, e o Direito Canônico deve ser adaptado de acordo (9m). Os casos de discriminação no emprego e remuneração injusta também devem ser abordados, inclusive na Igreja, onde "as mulheres consagradas são frequentemente consideradas mão de obra barata" (9 o). Em vez disso, o acesso das mulheres à educação teológica e aos programas de formação deve ser ampliado (9 p), incluindo a promoção do uso de linguagem inclusiva em textos litúrgicos e documentos da Igreja (9 q).

Vida Consagrada

Observando a riqueza e a variedade das diferentes formas de Vida Consagrada, se adverte contra a "persistência de um estilo autoritário, que não abre espaço para o diálogo fraterno". É aqui que se geram casos de abusos de vários tipos contra pessoas consagradas e membros de agregações leigas, especialmente mulheres. O problema "requer intervenções decisivas e apropriadas" (10 d).

Diáconos e formação

A gratidão é então expressa aos diáconos "chamados a viver seu serviço ao Povo de Deus em uma atitude de proximidade com as pessoas, de acolhimento e de escuta de todos" (11 b). O perigo é sempre o clericalismo, uma "deformação do sacerdócio" a ser combatida "desde as primeiras etapas da formação", graças a "um contato vivo" com o povo e com os necessitados (11 c). Nessa linha, pede-se também que os seminários ou outros cursos de formação dos candidatos ao ministério estejam ligados à vida cotidiana das comunidades (11 e), a fim de evitar "os riscos do formalismo e da ideologia que levam a atitudes autoritárias e impedem o verdadeiro crescimento vocacional".

Celibato

Foi mencionado o tema do celibato, que recebeu diferentes avaliações durante a assembleia. "Todos", pode-se ser no Relatório, "apreciam seu valor profético e o testemunho de conformação a Cristo; alguns se perguntam se sua adequação teológica com o ministério sacerdotal deve necessariamente se traduzir na Igreja latina em uma obrigação disciplinar, especialmente onde os contextos eclesiais e culturais o tornam mais difícil. Esse não é um tema novo, que precisa ser aprofundado".

Bispos

Há uma ampla reflexão sobre a figura e o papel do bispo, que é chamado a ser "um exemplo de sinodalidade" (12 c) ao exercer a "corresponsabilidade", entendida como o envolvimento de outros atores dentro da diocese e do clero, de modo a aliviar a "sobrecarga de compromissos administrativos e jurídicos" que muitas vezes atrapalham sua missão (12 e). Juntamente com isso, o bispo "nem sempre encontra apoio humano e espiritual" e "a experiência dolorosa de certa solidão não é incomum" (12 e).

Casos de abusos

Sobre a questão dos abusos, que "coloca muitos bispos na dificuldade de conciliar o papel de pai e o de juiz" (12 i), sugere-se "considerar a possibilidade de confiar a tarefa judicial a outro órgão, a ser especificado canonicamente" (12 i).

Formação (PARTE III)

Em seguida, pede-se uma "abordagem sinodal" para a formação, recomendando, antes de tudo, "aprofundar o tema da educação afetiva e sexual, acompanhar os jovens em seu caminho de crescimento e apoiar o amadurecimento afetivo daqueles que são chamados ao celibato e à castidade consagrada" (14 g). Pede-se que aprofunde o diálogo com as ciências humanas (14 h) de modo a desenvolver "questões que são controversas até mesmo dentro da Igreja" (15 b).

Ou seja, questões "relacionadas à identidade de gênero e à orientação sexual, ao fim da vida, a situações matrimoniais difíceis e a problemas éticos relacionados à inteligência artificial". Para a Igreja, essas "colocam questões novas" (15 g). "É importante dedicar o tempo necessário para essa reflexão e investir nela as melhores energias, sem ceder a julgamentos simplificadores que ferem as pessoas e o Corpo da Igreja", lembrando que "muitas indicações já são oferecidas pelo Magistério e estão esperando para serem traduzidas em iniciativas pastorais apropriadas".

A escuta

Com a mesma preocupação, o convite é renovado para uma escuta "autêntica" das "pessoas que se sentem marginalizadas ou excluídas da Igreja, por causa de sua situação conjugal, identidade e sexualidade" e que "pedem para serem ouvidas e acompanhadas, e que sua dignidade seja defendida". Seu desejo é "voltar para 'casa'", na Igreja, e "ser ouvido e respeitado, sem medo de se sentir julgado", afirma a Assembleia, reafirmando que "os cristãos não podem deixar de respeitar a dignidade de qualquer pessoa" (16 h).

Poligamia

À luz das experiências relatadas na assembleia por alguns membros do Sínodo da África, o SECAM (Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar) é incentivado a promover "um discernimento teológico e pastoral" sobre a questão da poligamia e "o acompanhamento de pessoas em uniões poligâmicas que estão chegando à fé" (16 q)

Cultura digital

Por fim, o Relatório de Síntese fala sobre o ambiente digital. O incentivo é para "alcançar a cultura atual em todos os espaços onde as pessoas buscam significado e amor, incluindo seus celulares e tablets" (17 c), tendo em mente que a Internet "também pode causar danos e lesões, por exemplo, por meio de bullying, desinformação, exploração sexual e dependência". É urgente, portanto, "refletir sobre como a comunidade cristã pode apoiar as famílias para garantir que o espaço on-line não seja apenas seguro, mas também espiritualmente vivificante" (17 f).

Fonte: Vatican news



 Acompanhe: Série de programas no youtube sobre o Relatório do Sínodo



* #Cap1 | Sinodalidade: experiência e compreensão*

Irmã Gervis Monteiro e Celso Pinto Carias

🔗 Confira: https://www.youtube.com/watch?v=JK_3VVBNTFs


* #Cap2 | Reunidos e enviados pela Trindade*

Padre Francys Silvestrini Adão e Ir. Rosana Araújo Viveiros

🔗 Confira: https://www.youtube.com/watch?v=Ts0BKs9M330


* #Cap3 | Entrar numa comunidade de fé: a iniciação cristã*

Lucimara Trevisan e Pe. Thiago Faccini

🔗 Confira: https://www.youtube.com/watch?v=PEdIPFnU-YE


* #Cap. 4 | Os pobres, protagonistas do caminho da Igreja*

Cristina dos Anjos e Irmão Henrique Peregrino da Trindade

🔗 Confira: https://www.youtube.com/watch?v=CFAtrM7kfe4


* Cap. 5 | Uma Igreja de "toda tribo, língua, povo e nação"*

Irmã Regina da Costa Pedro, PIME, e Padre Justino Sarmento

🔗 Confira: https://youtu.be/qny-hzTX8gM


* Cap. 6 | Tradição das Igrejas Orientais e da Igreja Latina*

André Luis Pereira Miatello e Padre Vítor Pereira

🔗 Confira: https://www.youtube.com/watch?v=qDeVh9Z5RfY


*Cap. 7 | Em caminho rumo à unidade dos cristãos*

Irmão Marcelo Barros e Pastora Romi Marcia Bencke

🔗 Confira: https://youtu.be/CPTU5LFKAys



14/02/2024

Mensagem do Papa Francisco para a CF 2024: “FRATERNIDADE E AMIZADE SOCIAL”

 


Queridos irmãos e irmãs do Brasil,

Ao iniciarmos, com jejum, penitência e oração, a caminhada quaresmal, uno-me aos meus irmãos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil num hino de ação de graças ao Altíssimo pelos 60 anos da Campanha da Fraternidade, um itinerário de conversão que une fé e vida, espiritualidade e compromisso fraterno, amor a Deus e amor ao próximo, especialmente àquele mais fragilizado e necessitado de atenção. Este percurso é proposto cada ano à Igreja no Brasil e a todas as pessoas de boa vontade desta querida nação.

Neste ano, com o tema “Fraternidade e Amizade Social” e o lema “Vós sois todos irmãos e irmãs” (cf. Mt 23, 8), os bispos do Brasil convidam todo o povo brasileiro a trilhar, durante a Quaresma, um caminho de conversão baseado na Carta Encíclica Fratelli Tutti, que assinei em Assis, no dia 3 de outubro de 2020, véspera da memória litúrgica de São Francisco.

Como irmãos e irmãs, somos convidados a construir uma verdadeira fraternidade universal que favoreça a nossa vida em sociedade e a nossa sobrevivência sobre a Terra, nossa Casa Comum, sem jamais perdermos de vista o Céu, onde o Pai nos acolherá a todos como seus filhos e filhas.

Infelizmente, ainda vemos no mundo muitas sombras, sinais do fechamento em si mesmo. Por isso, lembro da necessidade de alargar os nossos círculos para chegarmos àqueles que, espontaneamente, não sentimos como parte do nosso mundo de interesses (cf. FT 97), de estender o nosso amor a “todo ser vivo” (FT 59), vencendo fronteiras e superando “as barreiras da geografia e do espaço” (FT 1).

Desejo que a Igreja no Brasil obtenha bons frutos nesse caminho quaresmal e faço votos que a Campanha da Fraternidade, uma vez mais, auxilie às pessoas e comunidades dessa querida nação no seu processo de conversão ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, superando toda divisão, indiferença, ódio e violência.

Confiando estes votos aos cuidados de Nossa Senhora Aparecida, e como penhor de abundantes graças celestes, concedo de bom grado a todos os filhos e filhas da querida nação brasileira, de modo especial àqueles que se empenham pela fraternidade universal, a Bênção Apostólica, pedindo que continuem a rezar por mim.

Roma, São João de Latrão, 25 de janeiro de 2024, festa litúrgica da conversão de São Paulo Apóstolo.

Franciscus

MInistério da Visitação - Ir. Patricia Silva

Quinta viagem apostólica internacional de Leão XIV

  De 25 a 28 de setembro acontece a quinta viagem internacional do Papa, à França, tendo como pano de fundo cenários grandiosos — Notre-Dame...