10/09/2026

“O amor sabe ceder” - Pe. Reymel, ssp

 


“O amor sabe ceder” 


É fácil amar quando isso não exige nada de nós. Mas o amor se torna mais difícil quando precisamos abrir mão de alguma coisa que queremos, mudar nossas preferências ou tratar bem alguém que não nos tratou bem. É aí que o amor deixa de ser apenas um sentimento e se torna uma escolha.


Dois pontos para nossa reflexão hoje:

Primeiro, o amor sabe ceder. Na primeira leitura, São Paulo fala dos cristãos que sabiam que os ídolos não eram nada e, por isso, acreditavam que tinham liberdade para comer os alimentos oferecidos a eles. Eles não estavam necessariamente errados. Mas Paulo lembra que suas atitudes poderiam se tornar motivo de queda para alguém cuja fé ainda era fraca. Por isso ele diz: “o conhecimento incha, a caridade é que constrói.”

Imaginem várias pessoas dividindo uma sala com ar-condicionado. Uma gosta do ambiente bem frio, outra prefere uma temperatura mais moderada, e outra não gosta de frio. Quem está com o controle na mão poderia simplesmente colocar na temperatura que prefere. Mas logo alguém começa a sentir frio e outro já está procurando um casaco. Quando dividimos o mesmo ambiente, não podemos pensar apenas no nosso próprio conforto. Às vezes, ajustamos a temperatura porque o outro também importa.

Na vida também é assim. O amor sabe se adaptar. Às vezes, insistimos na nossa opinião porque sabemos que estamos certos. Mas a maturidade cristã não consiste apenas em saber o que temos o direito de fazer. É também saber quando o amor nos pede que abramos mão de alguma coisa para o bem do outro. O amor nem sempre insiste nos próprios direitos. Às vezes, sabe ceder.

Segundo, o amor responde com misericórdia. Jesus diz: “Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam e rezai por aqueles que vos caluniam.”(Lc 6,27-38)

Às vezes, somos como um espelho. Simplesmente refletimos aquilo que recebemos. Se alguém é gentil conosco, somos gentis. Se alguém nos respeita, nós também respeitamos. Mas, se alguém nos trata com raiva, respondemos com raiva. Se alguém nos machuca, sentimos vontade de machucar também.

E assim o mal vai passando de uma pessoa para outra. O ciclo do mal continua. Jesus nos convida a interrompê-lo. Ele nos pede que não sejamos simplesmente um espelho do comportamento dos outros. Ele nos diz: “Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso.” Nosso modelo não é o comportamento do outro. Nosso modelo é a misericórdia de Deus.

Se alguém é duro conosco, não precisamos nos tornar duros também. Se alguém guarda ressentimento, não precisamos fazer o mesmo. Se alguém fala mal de nós, não precisamos pagar na mesma moeda. Isso não significa aceitar injustiças ou permitir que os outros nos maltratem. Significa não deixar que o comportamento do outro decida que tipo de pessoa nós vamos ser.

O amor sabe se adaptar, e a misericórdia sabe perdoar. Peçamos a graça de amar cada vez mais como o nosso Pai nos ama. Amém.

 

São Paulo, 10 de setembro de 2026

09/09/2026

Série Magnifica Humanitas |

   


Série Magnifica Humanitas |

 A trajetória da Doutrina Social 

Da Rerum Novarum aos dias atuais,

entenda como a Igreja Católica atua no diálogo com a humanidade.

Passos da Doutrina Social da Igreja:

Principais temas e anos.

A encíclica de Leão XIV “Magnifica humanitas”: áudio e texto

VEJA EM Universo Paulinas: 

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Fonte: Vatican News