“O amor sabe ceder” - Pe. Reymel, ssp
“O amor sabe ceder”
É fácil amar quando isso não exige nada de nós. Mas o amor se torna
mais difícil quando precisamos abrir mão de alguma coisa que queremos, mudar
nossas preferências ou tratar bem alguém que não nos tratou bem. É aí que o amor deixa de ser apenas um sentimento e se torna uma escolha.
Dois pontos para nossa
reflexão hoje:
Primeiro, o amor sabe
ceder.
Na primeira leitura, São Paulo fala dos cristãos que sabiam que os ídolos não
eram nada e, por isso, acreditavam que tinham liberdade para comer os alimentos
oferecidos a eles. Eles não estavam necessariamente errados. Mas Paulo lembra
que suas atitudes poderiam se tornar motivo de queda para alguém cuja fé ainda
era fraca. Por isso ele diz: “o
conhecimento incha, a caridade é que constrói.”
Imaginem várias pessoas dividindo uma sala com
ar-condicionado. Uma gosta do ambiente bem frio, outra prefere uma temperatura
mais moderada, e outra não gosta de frio. Quem está com o controle na mão
poderia simplesmente colocar na temperatura que prefere. Mas logo alguém começa
a sentir frio e outro já está procurando um casaco. Quando dividimos o mesmo ambiente, não podemos pensar apenas no nosso
próprio conforto. Às vezes, ajustamos a temperatura porque o outro também
importa.
Na vida também é assim. O amor sabe se adaptar. Às vezes, insistimos na nossa
opinião porque sabemos que estamos certos. Mas a maturidade cristã não consiste
apenas em saber o que temos o direito de fazer. É também saber
quando o amor nos pede que abramos mão de alguma coisa para o bem do outro.
O amor nem sempre insiste nos próprios direitos. Às vezes, sabe ceder.
Segundo, o amor responde com misericórdia. Jesus diz: “Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam e rezai por aqueles que vos caluniam.”(Lc 6,27-38)
Às vezes, somos como um espelho. Simplesmente refletimos aquilo que recebemos. Se alguém é gentil conosco, somos gentis. Se alguém nos respeita, nós também respeitamos. Mas, se alguém nos trata com raiva, respondemos com raiva. Se alguém nos machuca, sentimos vontade de machucar também.
E assim o mal vai passando de uma pessoa para outra.
O ciclo do mal continua. Jesus nos convida a interrompê-lo. Ele nos pede que não
sejamos simplesmente um espelho do comportamento dos outros. Ele nos diz: “Sede misericordiosos, como também o
vosso Pai é misericordioso.” Nosso modelo não é o
comportamento do outro. Nosso modelo é a misericórdia de Deus.
Se
alguém é duro conosco, não precisamos nos tornar duros também. Se alguém guarda
ressentimento, não precisamos fazer o mesmo. Se alguém fala mal de nós, não
precisamos pagar na mesma moeda. Isso não significa aceitar injustiças ou
permitir que os outros nos maltratem. Significa não deixar que o comportamento
do outro decida que tipo de pessoa nós vamos ser.
O amor sabe se
adaptar, e a misericórdia sabe perdoar. Peçamos a graça de amar cada vez mais
como o nosso Pai nos ama. Amém.
São Paulo, 10
de setembro de 2026



